Obras faraônicas


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Dias atrás, diante de mais um fracasso econômico, vendo o ministro Mantega lembrei-me de outro ministro todo-poderoso que também passou por vários governos, tinha um insuperável otimismo, boa lábia nas promessas de inflação e crescimento econômico, mas, ao fim do ano o fracasso também ficava evidente como também é atualmente. Claro que falo do Delfim Neto.

Desgraçadamente, minha memória trouxe-me outra lembrança horrorosa, a causa do fracasso do Brasil na década de 80, o desperdício de recursos! Enquanto alguns sonham com o ‘dinheiro’ que virá do petróleo do pré-sal – que nem tecnologia existe para tal extração –, o erário que existe divide-se entre as suspeitas de corrupção (quantos ministros já caíram mesmo?) e projetos no mínimo arriscados.

Qualquer um que tenha mais de 45 anos vai se lembrar de investimentos em usinas nucleares, transamazônica e muitas pontes... Quando eu era petista, tinha uma lista dessas ‘obras’. E como esse mundo dá voltas, agora critico as obras faraônicas do meu ex-partido. Coisa incrível os ‘companheiros’ esquecerem que devem zelar pelo erário justamente quando estão de posse dele!

Enquanto assistimos uma atuação pífia das autoridades econômicas para salvar nossa indústria, o projeto da transposição do São Francisco continua estagnado por conta de projeto básico imperfeito e cujas obras já realizadas estão deteriorando. Quem não se lembra, durante todo o governo anterior, do ministro Ciro, quase chorando diante das câmaras de televisão, jurando de pé junto que iria somente levar água para os sedentos sertanistas? A caatinga necessita de água, claro!, mas é essa a solução mais viável economicamente? E por que não terminam? Explodiram os custos?

Outro megaprojeto que deve crescer os preços é o projeto do trem-bala, que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro por uma módica quantia de 65 bilhões de reais, o dobro do que o governo estimara quando lançou o primeiro edital. Para surpresa do governo, nenhuma empresa apareceu. Ou seja, já previram que o trem-bala não terá passageiros suficientes para manter os trens vagando. Se os ‘experts’ das grandes empresas não apostam, por que deveríamos apostar o dinheiro do contribuinte?

São Paulo-Rio? Ah! Eu tenho um apartamento em São José dos Campos defronte para a Rodovia Dutra e tenho testemunhado a quantidade gigantesca de caminhões que trafegam entre estas duas cidades. Ao lado, há uma ferrovia subutilizada. Não seria o caso de investir aí uns bilhõezinhos e tornar a troca de cargas mais eficiente e segura? Por que será que os ministros ou a própria Presidente não enxergam isso? Creio que é mais uma ‘bat-missão’ para nossos senadores e deputados.

E não nos esqueçamos onde está a demanda que justificaria investimento. Claro que falo de transportes urbanos sobre trilhos, nas grandes cidades. Diferente da época da ditadura, nós podemos questionar o governo.

Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

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