Outro sindicato, a mesma briga


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O mundo sindical de Franca parece não ter paz. Se já não bastasse a histórica disputa entre dois sindicatos, que lutam obstinadamente pela representação dos sapateiros da cidade, com direito a ataques pessoais pesados e até mesmo a alguns episódios mal explicados, surge agora uma nova disputa, dessa vez no Sindicato dos Servidores Municipais de Franca.

O imbróglio envolvendo a atual diretoria, que tenta a reeleição, e a chapa opositora começou em dezembro do ano passado. Durante todo o processo eleitoral houve animosidade. Na apuração, no entanto, o ‘caldo engrossou’. Membros da oposição acusaram os concorrentes de terem fraudado as cédulas e deixaram o plenário antes do fim da contagem de votos, sob escolta policial.

Logo após a eleição, a chapa opositora entrou com um pedido de liminar na Justiça, solicitando a abertura de inquérito policial e cível. Na primeira audiência, realizada no dia 19/02, o juiz tentou a conciliação. Entregou ao próprio Sindicato a obrigação de se entender e de marcar novas eleições. E deu um prazo de dez dias para que isso acontecesse.

A despeito do que venha a acontecer com essa disputa, no entanto, é interessante refletir sobre a realidade que permeia o mundo sindical atualmente. De forma geral, a impressão que se tem é que o esvaziamento ideológico é geral. Não há plataformas políticas nem idéias para se defender. Não há debates nem divulgação de programas ou propostas administrativas.

Na mesma linha do que acontece na política partidária, parece que o fisiologismo tomou conta de tudo. Se no âmbito federal só conseguimos vislumbrar partidos que relegam à lata de lixo seus ideários políticos em prol de uma fatia ou mesmo de algumas migalhas de poder, no âmbito do sindicalismo municipal parece que estamos assistindo a uma prática parecida, ou seja, o poder pelo poder, independentemente de qualquer ideologia.

Por outro lado, também parece verdade que a própria representatividade se ressente dessa situação. Indiferentes a essas lutas que ocorrem no interior dos sindicatos e com uma percepção de que elas se fazem apenas pelo poder, pela ambição e pelas benesses que lhes são inerentes, as categorias de trabalhadores parecem se afastar cada vez mais de seus representantes, deixando-os cada vez mais isolados e divididos em siglas que não são nem sombra do que já foram um dia.

De qualquer maneira, pela intensidade com que todos lutam por esse poder, é de se esperar que alguma coisa ele traga de recompensa. O problema é saber o quê. Status? Dinheiro? Estabilidade de emprego? Pequenos poderes? Seja o que for, parece voltado para si mesmo, longe de qualquer ideologia e também de qualquer preocupação com os representados.

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