Profissão: atriz


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Artistas falam  às crianças sobre a paixão de estar em cena
Artistas falam às crianças sobre a paixão de estar em cena

Como será representar um personagem, criar outra pessoa diferente de nós? Alguém que ri, chora, fala, canta, dança e muito mais? Subir ao palco, aparecer na TV ou na telona do cinema não é tão simples quanto parece. Uma coisa é certa: assim como qualquer profissão, para ser ator é preciso dedicar-se. A reportagem do Clubinho esteve com duas atrizes que se apresentaram no Sesi na última semana. Bruna Longo e Daniela Flor, do grupo teatral Cia. da Revista, estiveram na cidade para encenar a peça Cada Qual no Seu Barril. No camarim, elas contaram como escolheram a atuação como profissão.

Para quem não assistiu ao espetáculo, eis um pequeno resumo: a peça, que foi inspirada no livro Dois Idiotas Sentados Cada Qual no Seu Barril, da escritora Ruth Rocha, conta a história dos náufragos, Igor (Daniela) e Vladimir (Bruna), que entram em uma guerra pela sobrevivência. Eles precisam dividir o espaço de uma minúscula ilha deserta. Durante o tempo todo, um tenta pregar peças no outro para garantir seu lugar. Eles chegam até a se armar com bombas para tentar explodir um ao outro. Quando a briga chega ao final e eles resolvem ser amigos, é tarde demais. Caem em suas próprias armadilhas e explodem.

Agora, o mais interessante de toda a peça: os personagens não falam, só fazem mímicas, quer dizer, eles se comunicam com gestos. É como se tudo acontecesse em um desenho animado embalado por música. A mímica é uma linguagem muito utilizada no teatro quando a proposta de um espetáculo é não-verbal, isto é, quando não se usa nenhuma palavra no enredo. Pode até parecer difícil, mas Bruna e Daniela garantem que a dificuldade é a mesma de se encenar um espetáculo falado. “Para a palavra sair, o corpo precisa ter entendido antes, senão qualquer coisa vira um blábláblá”, diz Daniela. “Se formos pensar, comunicar-se sem palavras é coisa bem natural. Quem não sabe que a maioria das brincadeiras de criança envolve muito mais gestos que palavras?”

E como será que aconteceu a escolha das duas atrizes pela dramaturgia? Vamos contar. Antes de ser atriz, Daniela era advogada. Formou-se em Direito e adorava o que fazia. Um dia, porém, um espetáculo a que assistiu mexeu com ela. “Era O Processo, de Kafka (um dos maiores escritores de ficção da língua alemã do século 20), com a Beth Coelho. Saí de lá extasiada, pensando, ‘Gente, o que é isso? Eu preciso fazer isso”. Daniela então começou a fazer cursos de teatro até que apareceu a oportunidade de atuar e ela deixou a advocacia, ficou só no palco. Na Cia., Daniela ainda dá aulas de expressão corporal e interpretação.

Já a vocação de Bruna apareceu na infância. Desde pequena ela gostava muito de ler, e devorava tudo quanto é tipo de livro que encontrava. “Descobri uma coleção de teatro vivo da minha mãe e comecei a ler Tennessee Williams (um dos mais famosos dramaturgos dos EUA) com 12 anos. Achei aquilo muito legal e quis fazer teatro”. Depois disso, Bruna não parou mais. Hoje, além de atriz é dramaturga (escreve peças para serem encenadas no teatro).

Nenhuma das duas discorda: ser ator não é fácil. Requer estudo, é cansativo, pede dedicação e muita disciplina. “Mas é bom. Tem que ser prazeroso”, diz Bruna. “Não nos preocupamos em fazer sucesso. Fazemos teatro para contar história”, conclui Daniela.

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