Eles existem apenas no Brasil e estão chamando a atenção de biólogos do mundo inteiro há algum tempo. A palavra “miniatura” é até grande para se aplicar a eles que são do tamanho de uma unha! Vivem na Mata Atlântica, têm pele colorida ( vermelha , amarela, alaranjada), olhos negros, e se escondem no chão da floresta. O incrível é que sendo tão pequenos, sua voz se faz captar pelo ouvido humano. Eles fazem trii trii triii e começam a movimentar as perninhas, como se fossem um rastelo, mexendo nas fo-lhinhas que estão caídas no solo. Assim descreveu a cena o jornalista Herton Escobar, que acompanhado do fotógrafo Tiago Queiroz foi ver o trabalho das biólogas Eliziane Garcia de Oliveira e Thaís Condez: ” Logo aparece o primeiro sapinho, depois um segundo, terceiro, quarto e quinto (...) O maior não chega a 2 cm de comprimento. Parecem jujubinhas amarelas, movendo-se por entre o manto labiríntico de folhas secas, galhos, líquens, fungos e raízes que acarpetam o solo da floresta, preservando em seu interior a umidade da qual eles dependem para sobreviver.”
Estes sapinhos mínimos são chamados “Bráquis” pelos biólogos. É quase um apelido, derivado de seu nome científico: Brachycephalus ephippium’. Thaís diz que “sabemos muito pouco sobre esses bichos que vivem em meio ao folhiço mas só em altas altitudes, por exemplo, entre 600 ou 700 metros. Eles praticam a reprodução direta, ou seja, diferente dos outros sapos, os ditos ‘normais’, não passam pela fase de girino. No verão aparecem em grande número para se reproduzir. No inverno desaparecem. Ninguém sabe para onde vão ou como sobrevivem. Quantos ovos colocam? De que forma? Quanto tempo vivem? Como interagem com outras espécies? Quem são seus predadores? Qual a extensão exata de suas áreas de ocorrência? Pouco se conhece a respeito, apesar de um dos bráquis ter sido descrito já no ano de 1824 pelo natura-lista alemão Von Spix, que esteve no Brasil em missão científica. Onze das outras espécies só foram descritas há 15 anos.
Talvez você esteja se perguntando de que se alimentam esses bichinhos tão pequenos. Thaís e Eliziane dizem que eles comem ácaros, formigas e outros diminutos invertebrados. Se eles saltam como os sapos comuns? Sim, mas de forma mais lenta. Como disseram as biólogas que estão estudando o comportamento deles, “são incríveis”.
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