Cachorra morre envenenada com chumbinho na Vila Santa Helena


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DESPEDIDA - Tiago Francisco de Oliveira com a cachorra Gina, que morreu envenenada
DESPEDIDA - Tiago Francisco de Oliveira com a cachorra Gina, que morreu envenenada

Gina era uma cachorra vira-lata branca com manchas pretas. Foi adotada pela família do técnico de telecomunicação Tiago Francisco de Oliveira, 23, quando pequena. Dócil, costumava dormir com o dono e sempre curtia os passeios que fazia no fim da tarde no bairro onde moram. Todos os dias, Tiago soltava Gina e o companheiro dela, o também vira-lata Balu, para dar uma volta na rua e fazer necessidades no terreno ao lado da casa. No domingo, a rotina dos animais se repetiu. Mas Gina comeu linguiças recheadas com chumbinho, veneno normalmente usado para matar ratos, e morreu na madrugada de ontem.

A família mora na rua João Astum, na Vila Santa Helena, e outros cachorros que criam já foram vítimas de envenenamento. O de Gina foi o terceiro em menos de um ano. O primeiro caso aconteceu no ano passado, há cerca de seis meses. Segundo Tiago, alguém jogou salsichas recheadas com chumbinho na garagem da casa e a cachorra Rajada ingeriu os alimentos. No mesmo dia, Balu, ao dar o passeio de todos os dias, também comeu as salsichas envenenadas. Rajada não resistiu e morreu. Balu sobreviveu. “Seguimos a crença popular e demos para ele água com bastante sal para provocar vômitos e conseguimos ajuda para tratamento com o grupo Cão que Mia. Ele se salvou e está com a gente até hoje.” Na época, cinco pombos também comeram a salsicha e morreram.

Na tarde do último domingo, 25, Gina passeou na rua e retornou para casa mastigando uma calabresa. Logo em seguida começou a passar mal. Ficou internada dois dias na Clínica Veterinária Francana. Deu entrada com vômitos, diarreia e crises convulsivas. A cachorra ficava apenas deitada e não se movia. Estava sendo alimentada apenas com soro. “Quando ela chegou, o organismo já tinha absorvido o chumbinho há algum tempo e deixou sequelas. Afetou o sistema nervoso. Demos um antídoto, mas o estado dela era gravíssimo”, disse a veterinária Selma de Freitas.

As mortes dos animais deixaram um clima de tensão na Vila Santa Helena. “Está complicado porque tem crianças na rua e há risco até delas comerem as salsichas. Os vizinhos estão preocupados, mas não sabem o que fazer”, disse Tiago, dono da cachorra.

A dona de casa Maria do Carmo Gomes, 62, não cria animais em casa, mas ajuda a cuidar de um cão comunitário que vive na rua, batizado de Tio. “Tenho medo que ele seja morto. Acho muita crueldade o que estão fazendo. Criação eu não tenho, mas é como uma pessoa da família e tinha de ter mais amor.”
 

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