O mutirão de cirurgias eletivas realizado pela Santa Casa para tentar diminuir a fila de espera pelos procedimentos atendeu metade dos pacientes incluídos neste pacote. Foram feitas 200 cirurgias entre fevereiro e o dia 20 de março. A expectativa do presidente da Santa Casa, Luiz Aurélio Prior, é atender mais 200 pacientes até no máximo o início de maio. O mutirão para realizar as 400 operações extras foi possível graças ao repasse de R$ 2 milhões, através de uma emenda parlamentar do deputado estadual Gilson de Souza (DEM), no início deste ano. Prior estima que oito mil pessoas de Franca e região estejam na fila das eletivas.
A dona de casa Lázara Borges Cândido, 74, está nesta lista. Ela sofre há 15 anos com dores provocadas por uma hérnia no lado direito da barriga. Já fez cinco cirurgias para retirá-la, mas o problema sempre retorna. Há dois anos está na fila para realizar nova operação pela rede pública, mas não há previsão de quando será operada. Enquanto isso, passa os dias com dor. Lázara ainda tem dois nódulos no lado direito do pescoço e precisa extrai-los. Aguarda por este procedimento também há dois anos.
A hérnia na barriga de Lázara é grande, aproxima-se ao tamanho de um mamão. É saliente e, segundo a dona de casa, causa fortes dores e pesa. “Tenho dificuldade para tudo. Andar, sentar, dormir. Se estou deitada e quiser me virar, tenho que levantar a hérnia com a mão para conseguir. A dor é direto e eu sinto um peso na barriga.” Os nódulos no pescoço também preocupam. “O médico falou que no pescoço de benigno pode virar maligno. Faz muito tempo que estou esperando e já tenho quase 75 anos e não tenho mais a mesma saúde para suportar a demora.”
A filha de Lázara, a dona de casa Rejane Cândido, ligou para a rádio Difusora AM ontem desesperada com a saúde da mãe. “Peço socorro, não é nem ajuda, para livrar minha mãe do sofrimento. O sonho dela é fazer uma cirurgia bem feita para que não volte mais a hérnia, porque uma pessoa com 74 anos vai ter só um resto de vida pela frente e quer viver bem”, disse Rejane. Lázara recebe R$ 622 de pensão e disse que não tem condições de pagar pela cirurgia particular.
O cobrador de ônibus aposentado Orácio Pereira, 72, é outro francano a conviver com dores. Além de uma hérnia na barriga que vaza pus e sangue, ele tem desgaste na bacia e precisa colocar uma prótese. A cirurgia não tem data para ser feita. “O médico disse que teria de esperar para operar na Santa Casa até o fim de 2012, mas ele não vai aguentar até lá. Ele chora de dor no corpo e nas pernas e só anda escorando. Vive à base de remédio para dor”, disse a doméstica aposentada Dirce Ferreira, 56, mulher de Orácio.
O presidente da Santa Casa, Luiz Aurélio Prior, consultou a situação dos dois pacientes e disse que as cirurgias ainda não foram encaminhadas pela DRS-8 (Diretoria Regional de Saúde), que precisa autorizar o hospital a operá-los. “Não sabemos qual o prazo para serem atendidos porque os critérios são da DRS-8, mas idosos costumam ter prioridade”, disse Prior. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde alega que os dados são fornecidos pela Santa Casa.
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