A grandeza do amor


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Estamos vivendo o 5º domingo da Quaresma; já nos aproximamos da celebração mais importante para os cristãos, que é a Páscoa

Inicia-se neste domingo a semana das dores de Nossa Senhora. Esta devoção teve início na Itália em 1617. As sete dores celebradas são: Profecia de Simeão; Fuga para o Egito; Maria procura Jesus em Jerusalém; Jesus encontra sua mãe no caminho do Calvário; Maria ao pé da cruz de Jesus; Maria recebe Jesus descido da cruz e Maria deposita Jesus no sepulcro.

Deus volta a falar conosco por meio da sua Palavra que revela a “grandeza” do seu Amor. Já estamos mais próximos para experimentar a maior prova desse amor, no gesto de Jesus que morreu, pregado na cruz, para nos salvar. Vejamos as lições da palavra de Deus.

1ª Leitura: Profeta Jeremias 31
Nessa leitura é apresentado um dos trechos mais famosos de todo o Antigo Testamento: o anúncio de que Deus um dia estabelecerá uma nova aliança com o seu povo. A situação na qual esse oráculo é pronunciado é a seguinte: depois dos tétricos anos do longo reinado de Manassés, caracterizado pela corrupção religiosa, torna-se rei Josias. É ainda uma criança, mas, ao crescer, revela-se um homem muito piedoso e inicia uma profunda reforma religiosa. Jeremias vive nesse período, dá a impressão de estar observando em silêncio o que acontece, mas percebe-se claramente que está de acordo com as escolhas do jovem soberano.
Despertam-se em todos as esperanças adormecidas de um renascimento espiritual e, por que não, também político da nação. Israel poderia voltar a ser um povo unido e poderoso, como nos tempos de Davi e Salomão. Quando se realizará essa profecia? Se a lei de Deus estivesse gravada no coração de todos os homens, o mundo se transformaria num paraíso: todos seriam bons e como diz a leitura o Senhor seria o seu Deus, isto é, desfrutariam de prosperidade e de paz. Mas o mundo no qual vivemos não é assim... e então?
A profecia começou a realizar-se na Páscoa de Cristo, quando ele, morrendo e entrando na glória do Pai, enviou o seu Espírito, a sua força. A partir daquele dia, a lei de Deus foi gravada em nosso coração. Por que, então, continuamos praticando o mal? Porque o Espírito de Deus não foi plantado em nós como uma árvore adulta, mas como uma pequena semente que deve crescer e desenvolver-se. Somente quando essa semente tiver atingido a maturação, então terá chegado o Reino de Deus.

2ª Leitura: Carta aos Hebreus 5
A carta aos Hebreus afirma categoricamente que Jesus não fingiu ser homem, é um homem de verdade e passou através de todas as dificuldades e tentações que cada um de nós deve enfrentar. A única diferença é que ele nunca se deixou vencer pelo mal e se manteve sempre fiel ao Pai, ao passo que nós, muitas vezes, fraquejamos. O trecho de hoje se detém, sobretudo, na reação experimentada por Cristo diante do sofrimento e da morte; ele sentiu o que todo ser humano experimenta nestas situações. Dirigiu-se ao Pai, pedindo-lhe que o ajudasse e, se fosse possível, que o poupasse da dor e da morte. Orou, sentiu a necessidade de invocar o Pai para descobrir a sua vontade e para ter a força de cumpri-la.
Jesus não é como aqueles senhores que vivem nos seus palácios e de lá emanam ordens sem saber quantas lágrimas derramam e quantos sofrimentos devem suportar os seus súditos. Jesus não permaneceu no céu, contemplando as angústias dos homens; tornou-se seu companheiro de viagem, percorreu por primeiro o caminho difícil da humilhação e da morte. É por essa razão que o discípulo pode confiar nele quando lhe dirige o convite para segui-lo.

Evangelho: Jo 12, 20-22.
O episódio narrado no evangelho de hoje aconteceu poucos dias antes dos acontecimentos da última Páscoa de Jesus. Um grupo de gregos, isto é, um grupo de estrangeiros que se tinham convertido à religião judaica tinha ouvido falar de Jesus e queria encontrá-lo. Recorreu então a Filipe, este falou com André e os dois levaram a solicitação a Jesus. Para poder entender é preciso lembrar, antes de tudo, que para João “ver Jesus” não quer dizer “contemplá-lo com os olhos”, mas quer dizer “conhecê-lo em profundidade”, “descobrir quem ele é realmente”. O grupo dos gregos, portanto, não deseja saber quais as feições que Jesus tem, se é alto, se usa barba, se é simpático: o que lhes interessa é muito mais; querem penetrar no íntimo da sua pessoa.
Esses gregos antes eram pagãos, adoravam os ídolos, entregavam-se a práticas supersticiosas; um dia, porém, conheceram o Deus de Abraão, acreditaram e aceitaram a religião hebraica. Por ocasião da Páscoa, subiram até Jerusalém para rezar, para encontrar-se com Deus e para descobrir o que ele quer ainda deles. No templo eles tomam consciência que ainda não alcançaram o patamar espiritual para o qual o Senhor os convoca. Sentem que Deus quer que se dirijam a Cristo. Eles não se dirigem diretamente a Jesus, mas passam pelos seus discípulos, porque esta é a única possibilidade que existe para poder encontrá-lo. E não recorrem a qualquer um dos apóstolos, mas se dirigem a Filipe e André, os únicos entre os 12 que têm um nome grego e por isso os consideram mais apropriados para servir como mediadores.
O grupo dos gregos que quer “ver” Jesus representa todos os pagãos que querem conhecer Cristo. O evangelho não nos conta se esses gregos foram depois ter com Jesus ou se voltaram para casa sem tê-lo visto. Apresenta-nos, ao invés, um discurso muito importante do Mestre. Nele “se faz ver”, “manifesta sua verdadeira face” a quem queira conhecê-lo de fato. Para Cristo, o homem atinge o ponto mais alto da realização da sua vida quando se entrega à morte por amor de seus irmãos.
Talvez, ao lermos esse evangelho, nós também sintamos no coração o desejo de ser um daqueles gregos, que queriam conhecer pessoalmente Cristo. Pois bem! A quem deseja “vê-lo”, ele manifesta sua verdadeira face, uma face que nos perturba, porque é aquela de alguém que exige do seu discípulo uma generosidade total como a sua. Diante dessa exigência, provavelmente sejamos tentados a nos inclinar para uma religião muito mais simples, que se reduz á recitação de algumas orações e à celebração de alguma cerimônia. Seguir Cristo não é fácil. Ele também, diante da morte “ficou perturbado”, mas não fugiu, não se escondeu e quando chegou a sua hora, mostrou a todos como era grande o seu amor.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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