Alguém já disse que a gratidão é uma das mais importantes virtudes que alguém pode manifestar. Por isso mesmo, foi tão comentada a crônica do Luiz Cruz neste Comércio, no caderno Nossas Letras há umas duas semanas, quando deu um testemunho puro de agradecimento a dona Bertha Guimarães, que o acolhia diariamente em sua casa para a refeição da tarde, após o dia de trabalho, antes de ir para a escola. Quantos de nós também recebemos ajuda numa fase mais difícil da vida e depois fazemos questão de esquecer aquilo. Até o Mestre Jesus espantou-se com isso, naquela passagem do Evangelho em que curou alguns leprosos que o procuraram. Mais tarde, um deles voltou para agradecer e Jesus perguntou: “Mas não foram dez que eu curei? E os outros?” Pior ainda é quando se retribui com ingratidão, como aquele que é socorrido com o emprego que tanto queria, matando sua fome, para um pouco mais tarde levar quem o ajudou à Justiça do Trabalho, alegando ter sido enganado. Os animais costumam ser mais gratos que essas pessoas. Mark Twain dizia: “Recolha um cachorro na rua, dê a ele de comer e ele não lhe morderá. Essa é uma dife- rença notável entre o cão e o ser humano”. Quantas vezes também, alguém é atendido e ajudado nove vezes seguidas, mas se na décima vez, por algum motivo, não conseguir o que deseja, bastou para virar a cara a quem tanto já o auxiliou. Quem ajuda deve esquecer o que fez, mas quem foi ajudado deve se lembrar sempre.
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