A chacina de Batatais, que abalou a cidade com mais de 50 mil habitantes e teve repercussão em todo o Brasil, completa dez anos nesta segunda-feira. O bárbaro crime foi cometido na madrugada do dia 26 de março de 2002 pelo casal Carlos Fabiano Faccion, na época com 25 anos, e Edna Emília Milani, então com 20, que contaram com a ajuda de “Estrelinha”, um adolescente de 13 anos. Eles mataram seis pessoas da família de Fabiano degoladas e a golpes de barras de ferro em uma casa do Jardim Alvorada. Os acusados foram presos e condenados, porém Estrelinha, hoje com 23, está solto. A casa que foi palco da tragédia está abandonada.
Morreram no ataque sangrento os pais de Fabiano, Carlos Roberto Faccion, 48, e Maria Aparecida da Silva, 46, seus irmãos, Lucas Donizetti Faccion, 15, Elaine Cristina Faccion, 25 - grávida de nove meses (o bebê também morreu) -, e a sobrinha Talia Roberta Faccion, 3 (filha de Elaine). Das pessoas atacadas, duas sobreviveram: Luiz Henrique Faccion, o “Dudu”, que tinha 7 anos, e sua sobrinha Laira Fernanda Faccion Rodrigues, que tinha 3 anos. A avó de Fabiano, Alice Baldo Faccion, 72, que não teria sido vista pelos acusados, escapou sem ferimentos, mas morreu pouco tempo depois por problemas de saúde.
Após dez anos, os sobreviventes tentam reconstruir suas vidas e se recuperam das sequelas da tragédia. Dudu, hoje com 17 anos, foi adotado pelos tios: a dona de casa Márcia Helena Botelho, 44, e o pedreiro Roberto da Silva, 52. Eles moram em uma casa no mesmo bairro onde ocorreu a chacina, seis ruas à frente. O jovem foi submetido a dezenas de cirurgias e sessões com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais e nutricionistas da Apae de Batatais. Ele fica na instituição durante a semana, do meio-dia às 17h30. Hoje, apresenta melhoras. “É uma pessoa feliz, não tem tristeza, toda hora que você vê está brincando. Não sente dor, não reclama de nada. Ele só não sabe escrever, ler, mas é inteligente, bate de dez a zero em nós”, disse a mãe adotiva.
Ele fez aniversário no último dia 4, mas não pode comemorar ainda. Só neste mês passou por duas cirurgias no HC de Ribeirão e está internado em recuperação. O motivo é uma inflamação na cabeça, onde tem uma placa de silicone que ajuda a recompor sua massa encefálica (que perdeu durante a chacina). Porém, mantém a alegria, caminha pelo hospital e conversa constantemente com os familiares. “Seu aniversário foi dentro do centro cirúrgico no dia 4. A festa estava programada para o dia 10, já tinha dado vários convites e o DJ, som, discoteca, estava tudo organizado. Não pudemos fazer por causa da cirurgia. Íamos marcar outra data, possivelmente para o dia 31, só que a infecção voltou e ele teve que voltar para o hospital”, completou Márcia.
Laira Rodrigues estuda na Escola Estadual “Washington Luís”, e cursa a 7ª série do ensino fundamental. A reportagem tentou contato com a família de Laira. Segundo informações da Apae, a menina voltou a fazer acompanhamento psicológico no local e atualmente estaria morando na Casa Abrigo de Batatais.
A história foi confirmada por funcionários da instituição, que está instalada na área da Antiga Febem de Batatais, porém nenhum funcionário deu entrevista, apenas disseram que a criança estava passando o fim de semana com familiares. Márcia também confirmou. “Ela tem problemas motores, mas está bem. Mora com a família, mas não tenho muito contato. Parece que ela deu trabalho”, limitou-se a dizer. A reportagem do Comércio foi até a casa dos pais de Laira, no Jardim Mariana. A madrasta disse que a família prefere não dar entrevistas para não relembrar a chacina.
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