A Unifran (Universidade de Franca) coordena, através de um grupo de pesquisa que envolve cinco alunos e três professores, uma nova substância química que pode melhorar e baratear produtos como intensificadores de imagens de raios X, lasers, telas de televisores coloridos (plasma, LED e tubos) e celulares, lâmpadas fluorescentes e sensores. Desenvolvida desde 2007, a pesquisa despertou recentemente o interesse da universidade francesa Toulouse, que viu potencial no projeto e incluiu dois de seus profissionais na pesquisa.
Além de tornar o custo de produção desses equipamentos mais viável, o projeto propõe a eliminação do Mercúrio na composição de, por exemplo, lâmpadas fluorescentes. Essas lâmpadas funcionam com três substâncias que emitem luz. Essas luzes são formadas pelas cores: azul, verde e vermelho que, juntas, resultam na luz branca. O problema é que para ativar os componentes de cor, utiliza-se o mercúrio, que tem alto nível de toxicidade e, portanto, é prejudicial à saúde.
De acordo com o coordenador dos trabalhos, o doutor em química Eduardo José Nassar, a metodologia construída por eles parte de um líquido que é transformado, através de um processo químico, em um pó capaz de ativar a coloração sem o uso do mercúrio. “Para preparar esse material na fase sólida, usamos uma temperatura a 110ºC, que passa depois por um tratamento térmico a 600ºC. Comercialmente hoje, as temperaturas de preparo desse material chegam a 1.500ºC. É uma diferença de cerca de 900ºC do nosso método para o convencional”, explicou. A sacada esta aí. Com graus mais baixos, os custos com energia são menores e, sendo menores, a produção é barateada e isso gera reflexo no bolso do consumidor final.
Em fase laboratorial, o luminóforo (grão que emite luz -o pó em questão) já gera os resultados necessários para ser usado nos produtos, mas, ainda segundo Nassar, são produzidos em quantidades pequenas na universidade e seriam necessários investimentos maiores para que a produção chegasse a escalas industriais.
Marcela Guedes Matos tem 24 anos e defende o projeto em seu mestrado. Envolvida desde o começo da pesquisa, a jovem deu detalhes sobre o princípio do estudo. “Essa é uma linha de pesquisa que foca na parte de materiais de luminescência que utiliza elementos terras raras (mistura de óxidos) que têm propriedades de emitir luz. Os luminóforos já existem. O que tentamos fazer desde minha iniciação científica até o doutorado, é melhorar o preparo desses materiais”, disse.
Atualmente o grupo conta com o apoio financeiro da própria Unifran, Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e Fapesp (Fundação de Ampara a Pesquisa do Estado de São Paulo). Esta última cedeu à pesquisa um equipamento com custo de US$ 200 mil.
A próxima etapa é conseguir recursos para elevar a produção. “Dentro de um laboratório, produzimos um grama do luminóforo com cerca de R$ 500. A fase seguinte é aprimorar essa tecnologia e passá-la para uma escala piloto ou industrial, mas, para isso, tem que haver outras empresas interessadas em investir”, revelou Nassar.
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