Abortamento


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Certamente compelido pela impositiva e moderna realidade social, o Senado criou uma comissão de renomados juristas para apresentar um anteprojeto de reforma do Código Penal. Após inúmeras e delongadas reuniões, os iluminados apresentaram anteprojeto que propõe inúmeras modificações e atualizações legais, mas, o que, de imediato, nos chama à atenção é o quanto se refere à extensão da contemplação permissiva da lei para um universo de situações em que se dará o aborto, além dos casos de risco de morte para a mãe em decorrência da gravidez e da gravidez resultante de estupro, já permitidos pela lei antiga.

Se aprovada, a nova legislação admitirá também o aborto nos seguintes casos: anencefalia comprovada (formação apenas parcial do cérebro); proteção a mulher sem condições de arcar com a maternidade; risco à saúde da mãe (e não mais apenas risco de morte como anteriormente); emprego não consentido de técnica de reprodução assistida; e anomalias graves no feto.

Na proposição, o que se nos parece tanto quanto grave é que a interrupção da gravidez pode dar-se até a 12ª semana, mediante parecer de médico ou psicólogo. Tal elasticidade no tempo em que o aborto é permitido, todavia, não é exclusiva na geratriz do problema moral do abortamento, porque, em qualquer tempo de gestação que se verifique, constitui ele um crime, posto que a vida já é uma realidade que transcende as cogitações humanas desde o momento da concepção.

Como se vê, a proposta amplia consideravelmente o número de casos contemplados com as possibilidades da prática do aborto. O que pensam os espíritas a respeito? O Espiritismo é definitivamente contra qualquer prática que destrua a vida. Em O Livro dos Espíritos, na questão nº 359, os Instrutores espirituais nos orientam que só se deve interromper a vida do feto nos casos em que, em razão da gravidez, a mãe corre risco de vida. Caso contrário deve-se lutar pela vida de quem vai nascer.

Somos um espírito que está vinculado ao um corpo. Todos os nossos problemas físicos são originados no espírito, que é a verdadeira causa, visto que o corpo é efeito. Por isso, de nada adianta por fim à vida física. O Espírito continuará com os mesmos compromissos e, quando se candidatar a nova encarnação, apresentará os mesmos problemas, dos quais não teve oportunidade de desvencilhar-se.

O molde perispiritual possui 7 centros de força: o coronário, o frontal, laríngeo, cardíaco, gástrico, básico e genésico, os quais transmitem magneticamente ao corpo que vai nascer, as “deformidades” correspondentes às atitudes negativas de que está carregado o psiquismo do reencarnante. Portanto, o anencéfalo é assim porque suporta um comprometimento moral na área correspondente do seu perispírito, de nada lhe valendo o abortamento, que só serviria para provocar mais revolta ao candidato à nova experiência redentora.

O que nos compete, portanto, é trabalhar pela melhoria moral da humanidade, convencendo-a de que somos espíritos imortais e responsáveis pelos nossos atos. Que a solução dos nossos problemas está na fiel observância das Leis de Deus, que operam sob o imperativo negativo, de caráter positivo, do “Não matarás”.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (Idefran)

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