Discursos e ações


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Não passou despercebido o conteúdo dos discursos dos pré-candidatos do PSDB. A avaliação geral é que os pré-candidatos psdbistas fizeram, nos seus discursos (obviamente considerando o que o Comércio relatou), uma crítica profunda ao seu próprio chefe e à administração que fazem parte. Algumas passagens relatadas na notícia deixam claro que nem mesmo os colaboradores diretos do prefeito concordam com as prioridades (?) que ele estabeleceu nos seus 8 anos de mandato e, muito menos, com o seu estilo administrativo.

O sr. Ananias, secretário de Finanças e, portanto, responsável em aconselhar o prefeito sobre os gastos públicos, dá um tiro (de canhão) no pé do prefeito, ao elencar suas propostas para a Educação, quando diz: “tem dinheiro para gastar que não é brincadeira”. Faz a defesa da escola em período integral mas, durante esses anos de governo, o senhor prefeito não continuou os estudos que eu iniciei em 2003, com o objetivo de começar a sua implantação na rede pública municipal. Além disso, por que não foram construídas mais creches atendendo a enorme demanda conforme noticiado por esse Comércio no último domingo? Somos a 5ª cidade com maior déficit de creches e a construção de mais unidade deveria ter sido uma prioridade para o atual governo. O sr. Ananias poderia, pelo menos, ter “soprado” no ouvido do prefeito que há muito dinheiro na educação.

Outra coisa que me impressionou no discurso do sr. Ananias é que ele continua com a mesma visão equivocada sobre investimentos na área da saúde. É necessário, urgentemente, inverter os gastos e começar a discursar (e agir) em defesa da promoção da saúde e não apenas nos gastos com a doença. Se não mudarmos o foco dos gastos públicos, nessa área, nunca teremos atendimentos, medicações e procedimentos suficientes. A lógica do gasto público tem que ser na promoção da saúde e não na doença. Falta, nesse governo, uma visão sistêmica da saúde, integrando-a com as diversas áreas de políticas públicas, como a educação, assistência social, geração de empregos, esportes, etc.

Penso que a secretária Valéria, talvez por inocência política, acertou o outro pé do prefeito quando diz que a sua “intenção é fazer um governo com um pouco mais de humanização” e que “será uma administração com autoridade, mas sem autoritarismo”. Muito bem. A forma como o prefeito lida com o mundo é, nitidamente, autoritária. Acompanhamos algumas das suas explosões de agressividade e de autoritarismo que ocorreram contra simples e dedicados funcionários, públicos e privados. Lembram-se dos episódios do cone e da Rodoviária?

Mas, o pior de tudo isso, é que seu autoritarismo não permitirá que esse governo deixe um legado positivo e construtivo nas discussões públicas tão necessárias para o futuro da nossa cidade. Todos os setores organizados foram alijados de qualquer discussão que garantisse um futuro planejado e viável para Franca. Franca perdeu oito anos que farão falta na solução de problemas nas áreas econômica e social.

Mais cauteloso foi o candidato preferido do prefeito, o secretário de Saúde Alexandre. Nada disse e, assim, não se expôs. Mas, o importante é que próprio PSDB já admite o que precisaremos, realmente, discutir nas eleições municipais desse ano: um projeto democrático para Franca.

Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário

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