No começo do século passado, os chamados pioneiros da educação nova lutavam por uma mudança radical na educação brasileira. Atuando em várias frentes, pretendiam expandir a educação básica para todos os brasileiros. Com seu texto, ‘Educação não é Privilégio’, Anísio Teixeira, um dos principais expoentes desse movimento, já apontava para essa chaga secular de nossa estrutura educacional e clamava pela escola pública e gratuita para todas as crianças.
Quase um século depois, parece que ainda estamos nos esforçando para alcançar esse objetivo. Entra ano, sai ano, as vagas continuam insuficientes para colocar todas as crianças na escola, pelo menos no que diz respeito às creches. E a educação continua um privilégio, como protestava Anísio Teixeira, já que nem todos os cidadãos podem gastar de R$400 a R$600 para colocar o filho em uma escola particular, a despeito da lei que garante a toda a criança o direito de ser atendida em uma creche, e das promessas por mais unidades que também se repetem todos os anos, lentas e ineficazes.
Em março do ano passado, a Prefeitura de Franca lançou o chamado ‘pacotaço da educação’, por meio do qual prometia o investimento na ampliação de 11 creches e na construção de mais nove, o que permitiria a abertura de mais 990 vagas ate o segundob semestre desse ano. Na época, toda essa ampliação da estrutura - que esta em andamento - ainda não seria suficiente para zerar o déficit, mas seria importante para atenuá-lo.
Passados exatos 12 meses, a falta de vagas em creches volta a ser manchete de jornal. Mas agora, de acordo com o Ministerio da Educacao, para zerar o déficit de vagas em Franca, seriam necessárias mais 25 unidades. Para a Prefeitura, apenas 15 bastariam. O total de criancas a espera de vagas beira 1.500.
A despeito desses números, que de qualquer forma, quando bem ‘torturados’, confessam qualquer coisa, a única certeza que fica é que estamos caminhando a passos demasiadamente lentos para acabar com o privilégio educacional e colocar todas as crianças em creches e escolas.
E o pior é que o déficit de creches não é só em Franca. Apesar de ser a 5ª do Estado, a maioria das cidades também apresenta filas de crianças esperando pelas vagas que lhes são de direito.
A despeito dos vários problemas enfrentados pelos municípios, da chegada de novos migrantes, do aumento populacional ou da falta de recursos, o que sobra de tudo isso é que a educação no Brasil é uma prioridade apenas no discurso, sobretudo às vésperas de eleições. Na prática, porém, continua um pouco relegada. Se já não é mais um privilégio de poucos, tampouco é uma realidade para todos.
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