Amor incondicional, troca de esperanças, compartilhamento de informações - imaginar como vai ser o futuro e com quem os filhos com síndrome de Down irão se relacionar. Foram esses os motivos que levaram, há cinco anos, duas mães a se unirem em Franca para criar o Projeto Crer para Ver. Elas se encontraram na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e organizaram reuniões presenciais em lugares variados, cada dia com mais integrantes. Com as atribulações diárias, passaram a trocar informações em redes sociais com outras mães que também têm filhos com a síndrome. Hoje são mais de 400 pessoas que dividem experiências não apenas em Franca, mas em todo o Brasil.
Médicos especialistas apontam que a cada 800 crianças nascidas, uma tem síndrome de Down ou trissomia - um acidente genético em que a pessoa nasce com 47 cromossomos em vez de 46.
A psicóloga Karla Janaíne de Moraes Borges, 37, tem uma filha de cinco anos com síndrome de Down e foi uma das precursoras do Crer para Ver. “O objetivo é trabalhar a esperança das famílias que acabaram de receber a notícia. Por experiência própria, a gente percebe que a vida continua, tem adaptações a serem feitas, por conta de alguns atendimentos, principalmente nos dois primeiros anos, mas em seguida a vida é muito próxima da rotina normal.”
Francanas com casos na família explicam que existem dois momentos cruciais:
o da notícia e a inclusão escolar. Mães relatam que falta preparo dos profissionais no momento de informar a família. “A gente pede maior dignidade nesse momento, principalmente pela mãe que vai receber a notícia. Quanto mais breve a gente conseguir passar desse luto, todos ganham, principalmente a criança”, explica Karla.
A dona de casa Meire Afonso de Almeida Silva, 45, tem uma filha de 8 anos com síndrome de Down. Ela explica que a inclusão escolar é um desafio.”O professor precisa crer para ver. Costumamos dizer que a escola tem que esgotar todas as tentativas.”
Cibele Marques dos Santos, 34, é uma das poucas mães que matriculou o filho no ensino regular da rede municipal de ensino. Em 2011, segundo a secretaria de Educação de Franca, cinco alunos dos cerca de 240 deficientes matriculados na rede tinham síndrome de Down. “O acolhimento foi de primeira, tanto ano passado como este ano, principalmente por parte da direção da escola. Me acolheram, abraçaram ele”, disse Cibele.
A Apae de Franca atende hoje 98 pessoas com síndrome de Down. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), existem cerca de 300 mil crianças com trissomia no país.
No próximo domingo, 25, o Projeto Crer para Ver reunirá na Praça Central de Franca, a partir das 19h30, dezenas de famílias com crianças portadoras da trissomia. O objetivo é fazer um passeio em comemoração ao Dia Internacional da Síndrome de Down, oficializado pela ONU como dia 21 de março e comemorado hoje pela primeira vez.
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