Energia vinda do lixo


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Franca será a terceira cidade do Estado a instalar uma usina no aterro sanitário. Ponto para a cidade.

O lixo é um grande problema para toda a humanidade. E um problema de difícil solução, uma vez que nossa forma atual de viver é altamente geradora de resíduos. Apesar de termos acesso a muitos produtos e serviços, sempre queremos mais, independentemente da classe socioeconômica a que pertencemos. Impulsionados pelo marketing moderno, queremos um carro mais novo ou com design mais arrojado, mesmo sabendo que o nosso atual serve bem as nossas necessidades. Da mesma forma, ansiamos por uma nova televisão, um celular mais moderno e vários outros produtos que possam nos trazer mais prestígio e distinção no meio em que vivemos.

Em função desse consumo exagerado, as empresas começaram a acelerar sua produção de bens e serviços e, consequentemente, a produção dos resíduos resultantes desse processo industrial de transformação das matérias-primas. A partir de um determinado momento de nossa evolução histórica, o aumento dessa relação consumo/produção/lixo começou a gerar problemas ambientais e nos impulsionou a buscar soluções para os mesmos, uma vez que seria praticamente impossível, dentro desse modelo de vida adotado por nossa sociedade, diminuir a produção e o consumo.

As soluções, portanto, foram buscadas na forma de reciclagem dos próprios produtos já consumidos, transformando-os novamente em matéria-prima e reutilizando-a na fabricação de novos bens substitutos.

Obviamente, esse processo ainda não consegue prover toda a matéria-prima necessária para os níveis de produção que atingimos na atualidade, mas, de qualquer forma, não deixa de ser um atenuante para as questões ambientais, além de um caminho possível para se enfrentar ainda mais o problema.

Nesse sentido, a notícia de que em breve Franca estará gerando energia elétrica a partir da transformação de seu lixo é com certeza muito bem vinda. Além de melhorar os níveis de poluição da cidade e gerar energia limpa, a cidade conseguirá lucrar através da geração de créditos de carbono, que poderão ser comercializados com empresas e países que continuam poluindo para além do limite permitido pela lei.

De acordo com o contrato firmado pela Prefeitura e pela empresa Araúna Energia e Gestão Ambiental, que será responsável pela instalação da usina, Franca receberá 18% dos lucros obtidos com a venda dos créditos de carbono e com a venda da própria energia.

Mesmo que não consigamos perceber agora todo o alcance dessa ação, uma vez que nossos problemas ambientais ainda são um pouco incipientes, é importante que toda a cidade comece a despertar para o problema. Como não mudaremos tão facilmente esse estilo de desenvolvimento adotado em todo o mundo, a tendência é que os problemas ambientais se agravem ainda mais, caso ações como essas não se tornem cada vez mais comuns. E mesmo com elas não será fácil enfrentar o problema.
 

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