Mais empregos para Franca


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Não é novidade para ninguém a atual instabilidade econômica do mundo globalizado. A sensação ao se ler e ouvir os noticiários parece estranha, como se uma nova crise estivesse constantemente à espreita, esperando apenas um escorregão do sistema para poder instalar-se novamente.

Problemas em boa parte da Europa, sobretudo na Grécia, Portugal, Itália e Espanha, além de uma anunciada desaceleração da economia chinesa têm preocupado governos, sociedades e bancos centrais pelo mundo afora.

O Brasil, que parecia finalmente condenado ao crescimento, também já começou a apresentar sinais de que tempos mais bicudos poderão vir pela frente. Sem as reformas necessárias, continuamos a mercê do fluxo do capital financeiro internacional e priorizando a exportação de recursos naturais, o que enfraquece nossa indústria e nos deixa bastante suscetíveis às oscilações do mercado, principalmente as que interferem no desenvolvimento da China, hoje nosso principal parceiro econômico.

Nesse contexto, Franca apresentou um forte crescimento na geração de empregos nesse primeiro bimestre de 2012. Enquanto o país gerou milhares de vagas a menos que no ano passado, Franca experimentou o segundo melhor começo de ano da última década, ficando atrás somente do primeiro bimestre do ano passado.

Essa retomada do emprego, porém, é bastante comum na história de nossa indústria calçadista. Como há muita dispensa no final do ano, é natural que as vagas surjam no mesmo ritmo em que vão chegando os pedidos. Nesse sentido, precisamos moderar a comemoração, pois estamos somente repondo o que foi anteriormente perdido.

O que talvez seja motivo para um pouco mais de otimismo é a retomada das compras por parte dos lojistas, o que parece mostrar uma clara reação do setor comercial, como indica o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto.

Nesse sentido, é importante que nossos empresários mais uma vez se conscientizem em relação às mudanças e aos investimentos que precisam ser feitos em suas empresas para torná-las mais competitivas e eficientes. Para além dos protestos e das lutas para ampliar ainda mais a proteção governamental aos nossos calçados, buscando coibir de todas as formas a entrada no país de calçados chineses que aqui chegam como se fossem de outros países, uma prática fraudulenta conhecida como triangulação, é importante que façamos também a lição de casa no que diz respeito às modernas abordagens de gestão.

De forma geral, esses números não mudarão em nada o cenário e as tendências da indústria calçadista mundial. Se ficarmos presos a eles, sem percebermos seu movimento quase pendular, poderemos perder mais essa oportunidade de crescer com consistência.

Afinal, como dizem os economistas, os números, quando bem torturados, confessam qualquer coisa.

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