Alvos da concorrência desleal provocada pela entrada de sapatos vindos de países asiáticos, os calçadistas de Franca reivindicarão no próximo dia 20, em Brasília, a expansão de medidas para barrar essas importações. Na ocasião eles estarão representados pelo presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto, e pelo empresário Carlos Roberto de Paula, que participarão de uma audiência pública pleiteada pela Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) com o intuito de proteger a indústria calçadista brasileira.
O encontro acontecerá na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e também terá a participação de outros dirigentes de pólos calçadistas, além de exportadores e importadores. O pedido de extensão do direito antidumping é principalmente contra produtos oriundos de Taiwan, Vietnã e Indonésia.
A solicitação ao Governo Federal para que amplie a tarifa aos demais países foi feita pela Abicalçados no começo do ano passado. Na ocasião, os calçadista denunciaram a existência de uma fraude nas medidas antidumping por meio da China, que estaria encaminhando seus produtos através desses países. A prática é chamada de triangulação.
Na audiência de terça-feira, a Associação apresentará dados que mostram os efeitos danosos causados pelo aumento das importações ilegais. “São dados colhidos em todos os pólos, que mostram a queda na produção e o desemprego”, informou a assessoria de imprensa da Abicalçados, que não revelou números por questões de estratégia.
Além da apresentação da defesa, na audiência os calçadistas vão reforçar que somente a taxação de US$ 13,85 mais os 30% de taxa sobre o valor total de cada par de calçado vindo de fora conseguirá reter o crescimento da participação desses países no Brasil. Segundo estatísticas do Sindifranca (Sindicado das Indústrias de Calçados de Franca), na comparação entre janeiro do ano passado e o mesmo período deste ano as importações de calçados do Vietnã, por exemplo, aumentaram de 25% para 37%. “Os pólos estão sendo lesados e Franca não fica de fora. Precisamos provar que está tendo a triangulação e que é necessário estender as medidas antidumping para outros países”, disse o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão.
Pela defesa a China encaminha partes dos calçados para países como Indonésia e Vietnã, que, por suas vezes, montam os calçados e na sequência vendem para o Brasil. Com essa prática, os chineses estariam falsificando a origem do produto e conseguindo exportar sem barreiras, burlando as taxas existentes. Atualmente a taxação existe somente para produtos vindos diretamente da China.
PARAGUAI
Em outubro do ano passado, a reportagem do Comércio passou uma semana no Paraguai visitando fábricas de calçados. Foi constatado que a China também usa aquele país para fugir da taxação imposta pelo governo brasileiro à importação de sapatos. Ao usar essa estratégia, os fabricantes chineses conseguem enviar para o Brasil cerca de 5 milhões de partes ou pares de calçados todos os anos. A maioria deles tem o Estado de São Paulo como destino. A reportagem apurou ainda a precariedade da grande maioria das fábricas do Paraguai, o que demonstra que aquele país não tem estrutura nem capacidade técnica para fabricar uma produção tão grande. Em boa parte das fábricas, a produção não passa dos 80 pares por dia.
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