A arte de desvendar mistérios


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Bruna Liboni está no Instituto de Criminalística há cinco anos. Formada em Biomedicina pela Unesp, ela decidiu ainda na faculdade que iria ser perita. Em São Paulo o concurso público pode ser prestado por qualquer pessoa que tenha uma graduação, mas o Estado tenta direcionar o policial (sim, todo perito é tecnicamente um policial) para a área de formação. Este foi o caso de Bruna, que começou na clínica geral há três anos e hoje trabalha no laboratório de Toxicologia, fazendo exames com reagentes químicos para comprovar que certas substâncias são drogas.

Nos últimos cinco anos, Bruna coleciona histórias que marcaram sua carreira, seja pelo êxito em favor da Justiça, como o caso em que conseguiu através do Luminol refazer o passo a passo de um criminoso que matou a namorada, ou pelas tragédias que presenciou. “Já vi todas as formas possíveis de se perder a vida, mas depois de um tempo, a morte passa a não assustar mais. Você passa a ver o corpo como uma maneira a mais de se encontrar a verdade.”

Leandro, Carla, Gustavo e Sandro trabalham com os casos na rua, na linha, em esquema de plantão de 12 horas. A média de casos atendidos por cada um é de 15 por dia. Cada um destes peritos tem uma história diferente para justificar a escolha e a paixão pela profissão. Leandro é filho de um perito; Sandro de um delegado e os outros dois foram influenciados por professores da faculdade.

Dessa turma, Sandro Viola é o perito mais antigo. Está no IC há nove anos. Graduado em matemática, ele defendia sua tese de doutorado quando passou no concurso. Desistiu da carreira acadêmica.

Na memória, cada profissional guarda os casos mais marcantes. O de Gustavo, por exemplo, envolve o homicídio de uma garota de nove anos, morta enforcada pelo tio em uma cidade na região. “Quando o caso envolve crianças é muito ruim. Apesar de tentar não se envolver, não tem como não se emocionar.”
 

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