Muita conversa. Pouco resultado prático. Os quatro pré-candidatos do PSDB se reuniram na sede do partido para apresentar suas propostas aos filiados ontem. Faltou gente para ouvir. Poucos eleitores tucanos se dispuseram a escutar histórias de vida e promessas políticas na noite de sexta-feira. O prefeito Sidnei Rocha e o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, admitiram que ficaram decepcionados com o pequeno público. Já Sebastião Ananias disse que os colegas desviaram o foco.
Não havia mais do que 50 pessoas, incluindo assessores, funcionários da Prefeitura e familiares dos candidatos, no diretório do PSDB. Cada um dos candidatos teve 30 minutos para apresentar suas propostas. Nenhum usou todo o tempo. A ordem das apresentações foi definida por sorteio. Ananias foi o primeiro. Ele falou por 18 minutos. Disse que está na vida pública há 17 anos e que conhece a Prefeitura de “cabo a rabo”. Prometeu que em seu eventual governo não haverá mais meio turno nas escolas e creches do município. “A Educação será a prioridade número um, dois, três. Tem dinheiro para gastar que não é brincadeira.” No setor de Saúde, pretende comprar procedimentos, como consultas, para reduzir as filas. Também disse que quer implantar o gabinete itinerante e despachar nos bairros uma vez por semana. “Pretendo investir, profundamente, na pessoa humana.”
Valéria Marson foi a segunda a discursar. Durante 15 minutos contou que passou por “momentos complicados” e que superou as adversidades com muita luta. Lembrou de suas passagens pelas secretarias de Obras, Planejamento e Prohab. Afirmou ter aprendido muito com Sidnei. “Adquiri muita experiência e, hoje, tenho uma visão ampla de toda a cidade.” Disse que, se passar pelas prévias e for eleita, implantará um jeito feminino de administrar. “A intenção é fazer um governo com um pouco mais de humanização. Será uma administração com autoridade, mas sem autoritarismo.”
Alexandre Ferreira foi o que menos falou. Deu o recado em pouco mais de dez minutos. Disse que ingressou nos quadros da Prefeitura em 1992, que entrou em córregos, que fez visitas de casa em casa e que, hoje, na condição de secretário de Saúde, teve o privilégio de ser indicado como pré-candidato. “Um gerente precisa conhecer a empresa. Nós conhecemos. Saímos das fileiras da Prefeitura, estivemos sempre ao lado dos servidores e temos a confiança deles. O PSDB é forte, organizado e tem os melhores quadros para discutir os problemas e enxergar as soluções.”
Reinaldo Nunes Rocha encerrou as apresentações sem disfarçar o nervosismo. “Onde fui me meter! Estou ao lado de três feras.” Depois, desandou a falar e só parou quando recebeu um bilhete de Sidnei Rocha informando que faltavam três minutos para estourar o tempo. Escola de tempo integral, medicina preventiva, construção de hospital regional e caixa de contenção para controlar o fluxo de água nos córregos foram algumas de suas propostas. “Não sou o dono da verdade, mas estou à disposição para discutir e trocar ideias.”
Sidnei Rocha disse ter ficado satisfeito com o que chamou de o penúltimo ato antes das prévias, que vão acontecer no dia 24. Ele só esperava mais gente. “O público foi um pouco decepcionante.” Alexandre Ferreira fez avaliação semelhante. “Ficou aquém do que o esperado. Eu esperava mais gente.” Para Sebastião Ananias, o problema foi outro. “Dentro do programado, houve um desvio de foco. Entendi que era para apresentar a proposta do candidato para o eventual governo. Não ouvi isso dos demais candidatos. Houve, sim, uma justificativa do por que é candidato, com ênfase grande em destacar a indicação feita pelo prefeito. Isso já é um fato consumado.”
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