A volta das sacolinhas


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O acordo feito entre o governo do Estado e a Apas em relação ao fim das sacolinhas plásticas em armazéns, mercearias, hipermercados e similares nunca foi uma unanimidade. Como é comum acontecer com toda lei, acordo ou decreto que interfere no cotidiano das pessoas, essa proposta também acabou provocando polêmica.

Mas isso é bastante natural. As pessoas tendem a se acomodar na forma como organizam as suas vidas. Pela repetição, acabam se apegando a hábitos e costumes que vão se arraigando com o tempo. E a sacolinha plástica, sem dúvida, foi um desses hábitos, já que sua praticidade simplificava bastante as tarefas diárias ou semanais das compras.

Mudar essa prática, do dia para noite, obviamente, não seria uma tarefa simples, até porque as argumentações dadas pelo governo e pela Apas não convenceram a todos. Muitos atribuíram essa ação a uma mera forma de economia por parte dos empresários do setor, já que não havia nenhum fim pré-determinado para o dinheiro que antes era destinado às sacolinhas.

De qualquer forma, a despeito das opiniões contrárias ou a favor, o acordo foi cumprido e desde meados de janeiro os consumidores tiveram que se adaptar a essa nova regra, levando suas próprias sacolas, utilizando-se de caixas de papelão oferecidas pelas empresas ou carregando suas compras na mão.

Mas, quando tudo já parecia tranquilo e superado, eis que a Câmara Municipal de Franca resolveu impor uma reviravolta ao caso. Matéria publicada por este Comércio na quarta-feira, 14/03, mostra que a maioria de nossos vereadores aprovou uma lei obrigando a volta das sacolinhas, o que revela que a democracia nesse país é realmente sui generes, algo que intrigaria qualquer estrangeiro de país desenvolvido que acompanhasse todo o processo.

Ficaria difícil explicar a esse visitante que a ação da Câmara, independentemente do fato de estar ou não correta, só ocorreu meses depois da norma ter entrado em vigor. Dentro de uma racionalidade bastante comum em qualquer democracia, nosso querido visitante argumentaria que teria sido mais coerente e produtivo que os vereadores se manifestassem durante o debate que levou ao fechamento do acordo, algo que foi fartamente noticiado pelos meios de comunicação.

Mesmo que tivessem perdido o ‘time’ da discussão pública, ainda assim seria mais lógico e eficaz que houvessem feito uma lei para proibir que o acordo entrasse em vigor em nossa cidade, mas nunca criar uma lei meses depois, quando todos já começavam a se acostumar com a medida.

Mas o que talvez mais intrigasse nosso visitante estrangeiro seria essa nossa mania de evitar o máximo possível a discussão e o debate em relação a vários aspectos de nossa existência e depois descobrir que as soluções encontradas não eram as mais corretas.

No limite, o que precisamos é de mais debates, não de leis.

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