Depois de um dezembro negativo, Franca foi alçada ontem - durante a divulgação do saldo de empregos de fevereiro - à cidade brasileira que mais gerou empregos no primeiro bimestre de 2012 fora as grandes capitais. Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que, nos meses de janeiro e fevereiro, o município criou 5.290 postos de trabalho e conquistou o sexto lugar no ranking nacional, atrás somente de São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília e Rio de Janeiro.
A explicação para o alto número de contratações com carteira de trabalho em menos de 60 dias é, segundo os especialistas ouvidos pelo Comércio, a retomada dos empregos perdidos no fim do ano passado. Segundo o professor de economia do Uni-Facef, Antônio dos Santos Moraes Júnior, se trata de um comportamento sazonal diante de um final ruim em 2011. “É a recuperação das perdas, mas podemos considerar como um sinal positivo já que para a economia nacional o ano não começou bem.”
Na avaliação dos últimos dez anos, o atual bimestre foi o segundo com mais geração de vagas, atrás somente do mesmo período do ano passado. Entre janeiro e fevereiro de 2011, foram criados 5.350 postos de trabalho. Em compensação no Brasil, o saldo que estava em crescimento desde 2010 despencou de 448.742 vagas no primeiro bimestre do ano passado para 293.987 neste ano. “O ano começou com ritmo fraco na geração de vagas, está havendo uma desaceleração, mas Franca está no inverso, o que deixa a economia otimista”, disse Moraes.
Para o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto, além do retorno dos postos de trabalho perdidos, o resultado também é prova da reação do setor comercial. Ele diz que em dezembro os lojistas não compraram, pois haviam feito estoque e agora estão retomando as compras. “A recuperação dos empregos é normal ocorrer, acontece todos os anos. Mas essa retomada das compras dos lojistas também tem colaborado.”
Brigagão deseja que esse comportamento positivo do emprego prossiga para os demais meses, mas alertou que a geração de emprego não depende somente da vontade dos calçadistas. “Queremos continuar gerando vagas, mas o Governo Federal tem que ajudar barrando a entrada de calçados asiáticos por meio da ampliação das medidas antidumping” (leia texto nesta página).
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