A recente decisão da Câmara Municipal de Franca de obrigar a volta das sacolas plásticas nos supermercados locais é polêmica e exige cautela na sua discussão. A princípio, sou contra o uso das sacolas plásticas porque tenho experiência no estrago que ela provoca no meio ambiente. Recordo-me, quando vice-prefeito de Franca, do gasto que a Prefeitura tinha, periodicamente, para efetuar as limpezas nas bocas de lobo e a participação que as sacolas plásticas tinham no lixo retirado daqueles locais. As sacolinhas dividiam o volume de entulhos com as garrafas pets, latas de alumínio e outros materiais.
Entretanto, sabemos que se o nosso povo tivesse recebido (há muito tempo) educação ambiental, certamente, saberia reutilizar e reciclar as sacolas de forma consciente e responsável. Mas, infelizmente, não é a realidade. Assim, devemos ponderar todos os aspectos envolvidos no tema. Há os interesses econômicos e há, principalmente, os interesses ambientais. Sou propenso a considerar e valorizar os interesses ambientais acima dos econômicos, pois esses podem ser reconsiderados e redirecionados enquanto que os ambientais são de difícil solução e, muitas vezes, deixam estragos irreversíveis.
Parece-me que a pressão maior vem em função dos interesses econômicos. A Plastivida (Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos) estima que no ano passado foram utilizadas quase 13 bilhões de sacolas plásticas o que, obviamente, significa uma receita estrondosa para os fabricantes do setor. Além disso, há ainda o lado dos supermercados que, ao abolirem a distribuição das sacolas plásticas, terão uma economia substancial nos seus custos que, no final, reverterá em lucro. Todos sabem que essa economia não será repassada aos consumidores.
Por outro lado, persiste a preocupação ambiental. Ao longo das últimas décadas vimos e vivenciamos o aumento das enchentes (em todo o Brasil) ocasionado pela impermeabilização do solo, destruição das matas ciliares e, definitivamente, pelo descarte inconsequente das sacolas plásticas nas áreas públicas. Existe, ainda, a preocupação com a alternativa (falta dela) apresentada pelos supermercados que simplesmente oferecem caixas de papelão ou vendem sacolas reutilizáveis.
Acontece que estudos microbiológicos realizados pela Microbiotécnica (empresa especializada em higiene ambiental) já comprovaram que essas caixas de supermercado e as sacolas reutilizáveis apresentam elevado grau de contaminação microbiana: coliformes totais (coliformes fecais e Escherichia coli), fungos e outras bactérias. Enquanto que nas sacolas plásticas não foram encontradas essas presenças. O fato é que uma alternativa (caixas de papelão e sacolas de pano) apresenta risco imediato para a saúde humana e a outra alternativa (sacolas plásticas) representa um risco de longo prazo para a saúde do planeta e, portanto, do próprio homem.
Para ajudar (ou dificultar) a discussão, existe um projeto de lei, de autoria do deputad federal Salvador Zimbaldi (PDT), proibindo o uso de caixas de papelão para embalagem ou transporte de compras. Os vereadores cumprem o seu papel, mas falham em não aprofundar a discussão para se encontrar uma solução definitiva e razoável para o consumidor.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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