E a cor?


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Os contratos precisam ser bem feitos. Suas cláusulas devem ser claras, inequívocas, detalhadas. Se não...!

Meu amigo Arquibaldo, pessoa inteligente e muito culta, estudou em Franca e formou-se em Sociologia na Universidade de São Paulo. Além da Sociologia, sabia Informática, Línguas, Administração etc. Tinha uma profunda visão humanística do mundo e das coisas. Até às 8 horas da noite, ele era um homem admirável: educado, de conversa agradável, fino, cordial, sutil, racional e sensível. Daí para frente, partia para as baladas e deixava-se envolver completamente pelos vapores do álcool.

Cansado da vida paulistana e magoado com um casamento desfeito, Arquibaldo voltou para Franca. Trabalhou na Prefeitura Municipal como assessor da Secretaria de Administração. Deu início a um Banco de Dados Municipal que serviria de suporte para as ações da administração pública. Antes de seu retorno à Franca, ao sair de São Paulo, Arquibaldo estava em litígio com o locador de um apartamento por ele ocupado. Disse-me ele que o senhorio era insuportável: ranzinza, bisbilhoteiro, inconveniente e invasivo. Ao entregar as chaves do apartamento, Arquibaldo sentiu-se aliviado. Porém, não o senhorio que exigiu dele a pintura do imóvel que estava em perfeito estado de conservação. Como o locador ameaçou entrar com um processo exigindo o cumprimento da cláusula contratual, Arquibaldo mandou pintá-lo. E, morrendo de rir, comentou comigo:

— Sabe de que cor, Chacha?

— Não imagino.

— Pois devia imaginar, Chacha. Mandei pintá-lo todinho de preto, bem preto e, assim, cumpri o maldito contrato.

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