Há crise na família?


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Os meios de comunicação de massa tentam, diariamente, passar a todos uma idéia de que a família atual encontra-se em forte crise, especialmente de identidade e de valores. Segundo os críticos há por parte dos filhos um desrespeito à hierarquia dos pais, com mudanças de hábitos e costumes que se constituíram, ao longo dos anos, em sólidos alicerces no ambiente familiar. Fatos recentes e repetidos de filhos, por motivos fúteis, torpes e egoísticos, atentando contra a vida dos próprios pais, ou mesmo de pais, ceifando a vida de filhos menores e indefesos, são usados como provas evidentes da derrocada familiar.

O pior é que, inegavelmente, na maioria dessas tragédias familiares, no núcleo de cada um desses fatos está, infelizmente, a dependência química. A droga, inquestionavelmente, é um dos mais poderosos agentes de desagregação da família, pois ela destrói os laços de afetividade que deve nortear todos os integrantes do grupo familiar. Não se tem a menor dúvida que o Criador, ao estabelecer os seus planos para a humanidade, Ele concebeu a formação e a manutenção da família como elemento fundamental e essencial à convivência harmônica, pois é no ambiente familiar que as pessoas aprendem a exercitar a solidariedade e a dosar o egoísmo.

Todos os filósofos, sociólogos e teólogos, tenham a ideologia que tiverem, reconhecem que a família é a célula básica de todas as sociedades organizadas. Todo organismo social depende da família. Alguns críticos da família de hoje, atribuem essa crise concreta – ou no mínimo aparente –, ao fato de que os pais perderam o controle, desceram do topo da hierarquia familiar, submetendo-se às vontades e às exigências dos filhos. Estes, sem limites, assumiram o comando, subvertendo-se a ordem natural das coisas. É elementar que educar também significa impor limites.

Estudiosos do que se convencionou chamar de “crise da família”, apontam dois graves problemas. O primeiro é a falta de diálogo que não permite aos pais conhecer as potencialidades e as fragilidades dos filhos, fato agravado pelas exigências econômicas da vida moderna que retirou a mulher do lar. O segundo, a ausência de exemplos edificantes dos pais aos filhos. Conhecendo as potencialidades e as fragilidades dos filhos, os pais não estabelecem para eles projetos superiores as suas capacidades, gerando frustrações que acabam sendo a porta escancarada para o refúgio nas drogas. Por outro lado, o exemplo edifica muito mais do que as palavras.

É evidente e inegável que a família atual está vivendo uma crise de identidade. Porém essa crise não é, felizmente, suficiente para destruir essa fundamental célula social que, sem dúvida, funciona como um laboratório para concretizarmos no futuro a ‘família universal’ preconizada pelo Mestre dos Mestres: “Chegará o momento em que teremos um só rebanho e um só pastor”.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

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