Políticas econômicas


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O debate não é novo. Apesar de concentrado na academia e sem grandes evidências empíricas, segundo estudo do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), a discussão sobre o melhor padrão de especialização para o Brasil acaba contagiando as decisões políticas.

Qual seria o caminho mais seguro para a economia do conhecimento, a especialização em recursos naturais ou a ênfase no aprofundamento dos processos industriais? Existem estudiosos que preferem o primeiro caminho, alegando para isso o sucesso de países ricos em recursos naturais como Canadá, Austrália, Suécia e Finlândia. Há, porém, aqueles que argumentam na contramão, afirmando que as atividades intensivas em recursos naturais investem pouco em capital humano e geram poucos empregos, o que dificultaria a diversificação e o surgimento de outras atividades mais produtivas e complexas.

Dentro desse debate, ainda há espaço para aqueles que acreditam na indústria como o principal lócus de crescimento de um país. Para esses teóricos, a indústria permitiria a acumulação de capital humano e o processo subsequente de inovação e aprendizado, o que poderia mudar o destino de um país, a despeito de sua localização geográfica e de seu estoque de recursos naturais.

Nesse sentido, uma análise mais aprofundada do atual momento de nossa economia enseja uma reflexão interessante acerca de nossas políticas. Por um lado, constatamos que nossa indústria está enfrentando um momento de estagnação. Apesar da euforia do consumo nos últimos anos, podemos perceber que boa parte dela foi alimentada pela importação, o que pouco impactou nossas empresas.

Além disso, o tão propalado custo Brasil torna nosso produto pouco competitivo. Necessário para suportar um Estado extremamente caro e ineficiente, em todos os seus níveis, esse excesso de impostos e tributos acaba asfixiando muitas de nossas empresas.

Por outro lado, a constatação de que apenas seis produtos (minério de ferro, petróleo bruto, complexo de soja, carne, açúcar e café) representam 47% de nossa pauta de exportação mostra que ainda repetimos um pouco os erros do passado. De forma geral, continuamos agregando pouco valor aos nossos recursos naturais e os exportamos praticamente ‘in natura’, deixando para outros países a possibilidade de lucro maior.

E o pior é que além de concentrarmos muito valor em poucos produtos de baixo valor agregado, também concentramos boa parte da venda em um único comprador: a China. Se houver algum problema com o gigante asiático, ele rapidamente se alastrará para o nosso país.

Em função de tudo isso, o mais triste é constatar que independentemente da política escolhida, parece que estamos planejando muito mal. Seja em termos de exploração de nossos recursos naturais ou de desenvolvimento de uma política de industrialização, parece que está faltando estratégia e inteligência competitiva, para além das reformas política, administrativa e tributária que apesar de prometidas, insistem em não vingar.

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