Consumo de drogas afasta uma pessoa por semana do trabalho


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AUXÍLIO PARA O TRATAMENTO - Imagem mostra dependentes químicos durante caminhada na clínica Narev. Na instituição, três pacientes recebem auxílio-doença pelo vício
AUXÍLIO PARA O TRATAMENTO - Imagem mostra dependentes químicos durante caminhada na clínica Narev. Na instituição, três pacientes recebem auxílio-doença pelo vício

O uso de drogas, incluindo o álcool e o cigarro, retirou do trabalho nos últimos dois anos 154 pessoas em Franca e região. É praticamente um afastado por semana, segundo levantamento da Previdência Social que concede os auxílios-doença àqueles cujo laudo comprova a dependência química e a incapacidade do trabalho. A gerência de Franca responde por dez municípios.

Segundo o levantamento, os afastamentos pelo uso de drogas proibidas, como crack, cocaína e maconha, foram quase o triplo dos causados pelo vício em álcool e cigarro. Porém, em todos os casos, os procedimentos para a requisição do benefício são semelhantes e dão os mesmos direitos.

Em Ribeirão Preto, que tem quase o dobro da população francana, foram 2.423 pessoas afastadas do trabalho em três anos por problemas com drogas - cerca de 15 por semana.

O gerente executivo do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em Ribeirão Preto e região, Rui Brunini Júnior, disse que o auxílio doença para dependentes químicos não é novidade, mas sua solicitação tem crescido em razão do aumento no número de viciados. “A droga é um problema de saúde pública, quase uma epidemia.”

Segundo Brunini, qualquer trabalhador que tenha ao menos um ano de carteira assinada e seja segurado tem direito a solicitar o benefício ao iniciar o tratamento. Ele lembra, no entanto, que para conseguir o benefício não basta ser dependente químico. É preciso que o uso da droga incapacite o segurado para o trabalho. A comprovação da incapacidade é feita pelos médicos peritos, após laudo de um médico assistente.

No Caps (Centro de Atenção Psicossocial), segundo funcionários, é comum usuários de drogas irem em busca de atendimento com o intuito de obter o afastamento. “Eles querem passar pelo médico para que seja emitido um laudo, mas nossa intenção é reabilitar esse paciente, fazê-lo voltar para a vida normal”, disse uma profissional do Centro. Ela também explicou que em casos de pacientes debilitados, rentabilidade profissional comprometida ou doença grave associada ao consumo de droga, o laudo é emitido e o mesmo encaminhado para tratamento.

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Para Rogério Rodrigues, coordenador administrativo do Narev (Núcleo de Apoio de Recuperação da Vida), o número de concessões de auxílio-doença por envolvimento com drogas pode ser considerado baixo já que muitos pacientes não conseguem ter o benefício aprovado. “Nos últimos oito meses levamos 35 pacientes para perícia e apenas um conseguiu o afastamento. Já a prorrogação nunca foi concedida.”

Segundo Rodrigues, o benefício, quando concedido, ajuda no custeio das despesas do tratamento e também auxilia a família do paciente. Atualmente, dos 46 homens em tratamento, apenas três são afastados pelo INSS.
 

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