A Polícia Militar promete intensificar a fiscalização na rodovia João Traficante, que liga Franca à Ibiraci (MG). O motivo é o grande número de mortes em acidentes neste ano: quatro, em um intervalo de apenas 23 dias. Não se passaram nem três meses desde o início do ano e a quantidade de vítimas fatais no local já alcançou a metade no volume registrado em todo ano de 2011.
Segundo as autoridades, a estrada foi recapeada e está bem sinalizada. As principais causas de acidentes seriam a imprudência dos motoristas e o relevo irregular da região. “Não é uma rodovia que se pode empreender alta velocidade. Tem curvas, tem serra. Dependendo da época do ano, tem cerração e é possível até ter animais na pista”, disse Sérgio Buranelli, secretário de Segurança e Cidadania de Franca.
Como reflexo do aumento no número de mortes, o capitão Marcus Alexandre Moraes de Araújo, comandante do setor de trânsito da Polícia Militar, garante que a fiscalização na rodovia será intensificada. “O local já é normalmente fiscalizado com radares, com foco aos finais de semana e durante a semana em alguns horários. O que nós vamos fazer agora é aumentar a periodicidade durante a semana”, disse Araújo. O reforço será feito nos locais mais perigosos, como na curva onde morreu o então prefeito de Restinga, Clarindo Ferracioli (PSC), o Belão, e onde mais dois morreram este ano.
O agricultor Osmar Faleiros, 55, mora às margens da rodovia. Ele reclama da fiscalização e afirma que os policiais ficam apenas nos quilômetros 1 e 5, no início da estrada. “Geralmente só nesses lugares. Eu acho que precisava deles ficar em vários lugares. O ponto mais perigoso é para frente, que eu até falei com um policial, que o pessoal já sabe os pontos que os policiais ficam. Passou os radares, não tem mais, dai eles pisam com força mesmo (no acelerador)”, alertou o agricultor, completando: “Essa é a estrada da morte. E está cada vez pior. A pista é boa, mas o pessoal abusa.”
A psicóloga Giane Bisco, 41, mora há 13 anos em uma propriedade no quilômetro 16. Na última segunda-feira, a vendedora Luciana de Paula dos Santos, 34, sofreu um acidente e morreu em frente sua porteira. “Fiquei muito impressionada, porque foi na gora em que eu estava saindo. Presenciei quase que o momento do acidente.” Após tantas tragédias, a psicóloga diz ter aprendido a conviver com o medo. “Mesmo nós, que passamos sempre ali, quando nos aproximamos da curva, a gente já fica com mais receio, procura diminuir a velocidade, porque ao fazer a curva em alta velocidade, muitos carros acabam invadindo a pista contrária”, completou ela.
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