Feira do rolo


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Feira é um evento antigo, secular. Não existe uma referência exata para sua origem, mas para alguns historiadores ela poderia localizar-se na Idade Antiga, no Médio Oriente. Mais precisamente, consolidou-se na Idade Média, quando vários produtores traziam seus produtos de longe, concentrando-se em algum ponto que servia como entrecruzamento para várias estradas.

Nelas se vendiam ou se trocavam de tudo, artigos e produtos variados que eram necessários para o cotidiano das pessoas que viveram essas épocas. Com o passar do tempo, porém, tiveram que se atualizar e se adequar ao mundo das cidades e a seu desenvolvimento, o que fizeram muito bem, pois a despeito dos armazéns, mercados e supermercados que foram surgindo, elas persistiram pelas ruas e praças de todo o mundo civilizado.

Mas, algumas delas sobreviveram mais ou menos intactas à força dos séculos, talvez pela força do impulso comercial de troca que se mostra inerente à raça humana. A feira da Ladra, por exemplo, com raízes que remontam ao século XIII, ainda é um acontecimento em Lisboa, Portugal, comercializando velharias, objetos de segunda mão e artesanato.

De forma um pouco aproximada, poderíamos dizer que nossa Feira do Rolo seria uma filha tardia dessa tradição. Com seus aproximados 30 anos, é uma das muitas que ainda persistem por esse Brasil afora, como a Feira da Barganha, em São José dos Campos, ou o Mercado de Pulgas, que existe em várias cidades do Brasil.

Porém, se no começo eram apenas espaços restritos, em que as pessoas trocavam suas velharias, utilizando-se da velha prática do escambo, uma prática milenar impulsionada por esse nosso ‘impulso natural para a troca’, com o tempo foram se transformando em eventos mais amplos, ocupando espaços maiores, com comerciantes fixos e produtos novos, alguns, inclusive, de origem suspeita.

É dentro desse contexto que precisa ser entendida a ação da PM, ocorrida na feira do domingo, dia 4,quando foram apreendidos vários produtos, a despeito da antipatia que possa provocar em alguns apreciadores e entusiastas desse tradicional evento. De um simples encontro para trocas, essa feira cresceu e transformou-se em um ponto comercial, beirando a irregularidade, em alguns momentos, e a ilegalidade, em outros, pois não é novidade para ninguém que ali também passaram a se juntar alguns contraventores e receptadores de objetos roubados entre as pessoas que querem apenas trocar objetos ou se desfazer de algo usado e ganhar um troco por isso.

Nesse sentido, é importante que a PM continue com esse trabalho de fiscalização no recinto da Feira, intensificando-o o máximo possível. Talvez esse seja o único caminho para que a Feira do Rolo continue como uma tradição cultural da cidade, espantando todos aqueles que queiram se aproveitar dessa mesma tradição para vender produtos roubados ou pirateados.

Com certeza, as pessoas verdadeiramente interessadas nas trocas ou na compra de velharias irão agradecer.

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