Lá de cima, há alguns mil e tantos metros de altitude, já se vê que a paisagem mudou: sei, estou indo para outras paragens. Primeiro, a planície com recortes menores, muito colorida, ainda mais bonita do que a de costume. Um rico patchwork de plantas e terra mais lembra uma imensa saia da boneca Emília, só que marejada por múltiplos braços d’água, de um rio que chora a erosão que daqui se adivinha. Minutos depois, mais adiante continua sendo planície, só que retira a saia colorida e puxa sobre si um imenso lençol verde musgo, donde algum gigante mal educado se levantou esquecendo-se de fazer a cama... Mais alguns minutos, o cinza da Ilha do Governador, das casas quadradinhas sem nenhuma imaginação, o tempo embaçado de azul e cinza que tenta a custo conter uma beleza inebriante, inútil. Cá embaixo, depois de um túnel ou dois, já se vislumbram os tons, as nuances, os morros pedem passagem por entre casas e prédios e desafiadoramente continuam fazendo poses em nossas fotos. A floresta da Tijuca continua a barrar o humano avanço e dia a dia lembra-nos de nossa intrusa presença, enraivecida nos oferece sombra e água fresca em cascatas.
O Rio de Janeiro está mais lindo, mais limpo, mais seguro do que há dez anos. Nada sei de números e estatísticas, mas o carioca não vive como quem teme a violência, há muitos prédios na orla que não têm sequer grades na frente, não há seguranças pra todo lado, e aquela horrenda corrente dentada de arame farpado não é moda por lá. Achei isso simplesmente incrível!
Achei incrível e maravilhoso encontrar negros em todos os lugares por onde andei, fiquei feliz em ver famílias de etnia e classes sociais diversas saindo do metrô em direção a Ipanema, Leblon, Copacabana, munidos de isopor, fios dentais, meninos aos montes, na maior alegria da vida. Descobri através dos cariocas que não se diz mais favelados, agora são da comunidade: Rocinha, Pavãozinho, Alemão e assim por diante. Não é besteira, algumas palavras valem mais pelo que representam do que pelo seu significado originário.
E, para os meus olhos famintos por novidades gastronômicas, percebo que os cariocas também devem estar se alimentando melhor. A olhos vistos estão em melhor forma que nós, há uma preocupação maior em saber o que se come. É impressionante a quantidade de lojas naturais e afins. Aliás, descobri que os restaurantes naturais já eram sucesso nos anos 70 por lá. Também por isso é de lá o mais famoso restaurante natural do Brasil. É um self service chiquérrimo cuja comidinha custa “módicos” R$ 106,00 o quilo! Para quem aprecia, e até pra quem não aprecia, vale a pena pagar. Tudo estará absolutamente fresco e saboroso. Bom pra experimentar todos aqueles grãos, legumes, temperos que normalmente não consumimos. E de quebra estará por lá uma senhora japonesa enrolando sushis personalizados - dá pra escolher os recheios. Mas o restaurante, que tem duas estrelas no guia Quatro Rodas, também oferece massas e carnes, tudo, claro, com um olho no prato e outro na balança, a proposta é ser light. E como o sucesso não é barato,
dona Rosa, proprietária da casa, juntamente com duas filhas, começou o negócio de comida vendendo sanduíche natural na praia do Pepê.
Com tantas almas e charme femininos, três mulheres cozinheiras imprimiram sofisticação, sabor e muita criatividade aos pratos e hoje tocam um restaurante de grande sucesso. O restaurante não é só restaurante, é mais um armazém de produtos naturais: além do almoço a gente pode sair de lá com aquelas charmosas sacolas de papel repletas de delícias um pouco mais leves.
O ambiente e seus frequentadores dão o que falar, mas em revistas sociais - da próxima vez que, por exemplo, uma Carolina Dieckmam, uma Fernanda Torres for fotografada almoçando descontraidamente no Leblon, podem prestar atenção, elas devem estar no restaurante Celeiro, que fica na rua Dias Ferreira, 199.
DICA DA SEMANA
Várias plantas medicinais e aromáticas, mesmo quando secam, conservam as suas propriedades. Para preservar ao máximo o sabor, aroma e as propriedades medicinais, a colheita deve ser feita em dias ensolarados, após a total evaporação do orvalho.
É muito prejudicial para a secagem se as plantas forem lavadas após a colheita. Para limpar as plantas que estiverem muito sujas, lave com um jato de água suave um dia antes da colheita. Colha as ervas aromáticas antes da floração, quando atingem seu ponto máximo de fragrância.
Para secar as ervas colhidas, pode-se pendurá-las num varal improvisado, fazendo pequenas trouxinhas. O local deve ser bem seco e não poderá haver nenhum contato com qualquer luz. Melhor envolver cada uma das trouxinhas em papel alumínio. A secagem total leva cerca de duas semanas. Estarão prontas quando as folhas se desmancharem totalmente ao contato da mão.
Deve-se separar folhas e galhos nesse momento e guardar em vidro seco, esterilizado e muito bem fechado, impedindo a incidência da luz. Aproveite o mesmo papel alumínio e envolva o vidro. Com esses cuidados você terá uma erva seca com propriedades bem próximas da fresca, pois, os óleos essenciais foram preservados. Compare-as com as ervas secas compradas em supermercados, a sua terá mais cor, mais cheiro e sabor.
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