Família luta por uma chance de internação em hospital psiquiátrico


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Os pais do jovem de 29 anos com distúrbios psiquiátricos se sentem de mãos atadas diante dos problemas mentais do filho. Ele já esteve internado duas vezes no Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec”. A primeira foi aos 26 anos e, segundo a mãe, ele teve direito à internação de 15 dias. Nos anos seguintes, os ataques contra a família continuaram, mas os parentes não conseguiam vaga no hospital.

A situação só mudou após uma assistente social da Prefeitura visitar a família e presenciar, como o fez a reportagem do Comércio, o comportamento agressivo do paciente. Sensibilizada com a história da família, a profissional decidiu ajudar. Conseguiu apoio de uma advogada para acionar a Justiça e o juiz responsável pelo caso obrigou o “Allan Kardec” a internar o rapaz.

Ele permaneceu dez meses na instituição. A mãe o visitava todos os dias. “O problema dele é em casa. Lá no hospital ele fica bonzinho e toda vez que eu ia os médicos me falavam: ‘Mãe, ele já está bem, pode voltar para casa’. Ele acabou recebendo alta e agora é isso aqui que eu vivo todo dia”, disse a mulher, enquanto o filho esmurrava a porta.

Quando as crises estão mais fortes, ela costuma acionar a ambulância para levar o filho ao Pronto-socorro “Doutor Janjão”, onde é medicado e liberado. Mas, a mãe diz que nem sempre é atendida pela ambulância. “Explico para os médicos que não é fácil, que eles não sabem como ele é em casa, que me bate, mas não adianta. Eles alegam que não tem mais lugar para internar, que só atendem gente que mexe com drogas e álcool, não tem vaga para pessoas doentes que precisam mesmo, como meu filho.”

O rapaz é acompanhado pelo Ambulatório de Saúde Mental da Prefeitura desde os 18 anos, quando saiu da Apae. No entanto, desde que recebeu alta do Hospital “Allan Kardec”, em outubro, não passou por consulta. A mãe só conseguiu marcá-la para 22 de março. “Nem levo ele no ambulatório para passar pelo psiquiatra porque dá muito trabalho, ele fica agressivo demais e sou eu que explico tudo mesmo para o médico. Aí eles me passam a receita dos medicamentos.”

Pai e mãe do rapaz trabalham numa banca de pesponto em casa e têm renda de R$ 1.200 por mês. Chorando, a mulher diz que, infelizmente, não dá para incluir no orçamento a diária de R$ 140 na clínica particular do “Allan Kardec” para tratar o primogênito.
 

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