A investigação do Ministério Público do Trabalho para apurar denúncias de assédio por parte do ex-presidente da Emdef, João Marcos Rodrigues, foram abertas em novembro. Houve uma tentativa de conciliação em dezembro e o caso veio à tona em fevereiro. Durante todo este período, o prefeito permaneceu em silêncio e se recusou a fazer qualquer comentário. Da Prefeitura, nenhuma explicação ou contestação, apesar dos insistentes pedidos de informação. Ontem, após consumada a exoneração, Sidnei Rocha (PSDB) convocou entrevista coletiva para falar sobre o caso. Mas, na verdade, fez um pronunciamento em que defendeu o amigo e fez críticas ao MP e à imprensa.
Sidnei chegou com expressão fechada ao gabinete e foi logo avisando que não daria entrevista ao fim do encontro como sempre faz. “Se quiserem gravar o que vou falar, coloquem os microfones e gravadores na mesa.” O prefeito falou por 50 minutos. A maior parte do tempo foi dedicada a exaltar João Marcos. “Acabamos de perder, certamente, o melhor presidente que a Emdef já teve. Ele recuperou a empresa do desastre e a deixou em situação rentável.”
Segundo o prefeito, ao assumir a administração, a dívida da Emdef com fornecedores e Previdência Social era de R$ 8,7 milhões. Hoje, a empresa conta com 24 veículos e equipamentos pesados e soma R$ 3,8 milhões no caixa. Para ele, a recuperação deve-se ao ex-presidente. “O João é um grande companheiro, um trabalhador sério. Ele pagou um alto preço social pela seriedade.”
Em seguida, trocou os elogios pelas críticas e elegeu o Ministério Público como alvo principal. Sidnei disse que a Prefeitura recebe cerca de 500 pedidos por ano de informações feitos pela Promotoria. Contou que respondeu a três ações em que foram feitos pedidos de bloqueio de seus bens. Uma delas, por causa de R$ 3 mil. “Diariamente, estamos sendo coagidos com inquéritos pedindo bloqueio de nossos bens sem que o juiz tenha julgado, como se a gente fosse bandido. Já imaginou a extensão do dano que causa? Não somos bandidos. Somos servidores que ganham pouco. Um secretário ganha R$ 4 mil e o prefeito R$ 10 mil, contra quase R$ 30 mil de um membro do MP e somos tratados assim. É necessário que respeite o nosso trabalho, o nosso esforço.” O prefeito demonstrou irritação com as notícias negativas. “Ficamos muito exposto do jeito que está sendo feito. As manchetes prejudicam. A gente não é bandido. Trabalhamos duro.”
Nervoso, Sidnei voltou a citar o processo aberto contra João Marcos e atacou a condução do caso por parte do MPT. “A Prefeitura abriu sindicância e constatamos graves divergências entre os depoimentos que as testemunhas deram à promotora e, depois, à Prefeitura. Há diferenças brutais.” O prefeito disse que as acusações de assédio não são verdadeiras e que partiram de um funcionário que foi proibido de usar o veículo da empresa “a torto e a direito”. “O João foi firme como tem que ser um comandante. Ao botar ordem, o funcionário se demitiu e formou um complô contra ele. Todos (testemunhas) foram muito bem orientados para depor no Ministério Público.”
Sidnei insinuou que a imprensa deveria ter publicado detalhes da sindicância feita pela Prefeitura que, segundo ele, comprovariam divergências à versão do MPT. O prefeito, porém, não soube explicar como a imprensa teria acesso aos documentos, já que até as 11 horas de ontem, ninguém na Prefeitura comentava as denúncias contra João Marcos. Indagado, ele recuou: “Como iria falar se era sigiloso?”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.