Como todos já sabem, nossos vereadores mudaram novamente o dia da sessão semanal na Câmara. Cerca de sete meses depois de mudá-la para quinta-feira, resolveram trazê-la novamente para terça. O motivo alegado, como já foi bastante repercutido por este jornal, foi a produtividade.
Em um primeiro momento, esse vai e volta, em um curto espaço de tempo, gera certa desconfiança em relação ao argumento dado pelos vereadores. Quando se implementam mudanças organizacionais em empresas ou organizações públicas, é preciso esperar um tempo para conhecer seus resultados. Além disso, é necessário comparar os números antes e depois das mudanças. No caso específico da Câmara, seria importante conhecer o número de projetos discutidos e aprovados, bem como o desempenho de cada vereador, tanto na terça quanto na quinta-feira.
Mas parece que isso não foi feito, nem pensado. Nenhum balanço foi divulgado pela Câmara. O que contou foi mesmo a vontade de alguns ou todos eles.
Porém, a se tomar por base a primeira sessão ocorrida na terça-feira, 29/02, é possível constatar que a produtividade ficou bem longe do plenário. Ou não foi avisada da mudança e manteve-se fiel à quinta-feira, ou realmente nunca foi o motivo para nenhuma das alterações.
Nessa sessão, durante três horas, os vereadores perderam-se em uma discussão tensa e, de certa forma, inócua. A votação que daria o nome ao futuro viaduto da cidade, uma escolha que geralmente costuma ser pacífica e consensual, acabou se transformando mais uma vez em uma sequência de ataques pessoais.
Talvez se possa pensar que isso já se tornou lugar comum em se tratando da atual legislatura. Mas dessa vez nossos vereadores foram um pouco mais além. Com essa disputa de nomes, que nem se esforçou para disfarçar uma disputa política já conhecida por todos, os vereadores causaram constrangimentos a duas famílias que não mereciam ser expostas em discussões e argumentos que nem de longe se preocupavam com elas ou com seus entes queridos, mas que se concentravam na simples e escondida tentativa de se fazer valer ou de se opor a uma vontade política.
No final das três horas de imbróglio, o que se conseguiu foi algo único em se tratando de um batismo de obra pública, ou seja, não se conseguiu chegar a lugar nenhum. Como não houve uma decisão, a discussão deverá voltar ao plenário. Em função disso, e pela repercussão negativa do caso, vamos torcer para que nossos vereadores tenham aprendido a lição e dessa vez se preocupem verdadeiramente com a pobre da produtividade, tão eloquentemente citada, mas, ao mesmo tempo, tão descaradamente desprezada.
Mas se insistirem no já conhecido ‘enrolation’, que tentem então a quarta-feira, pois a terça e a quinta não deram em nada e, com certeza, a segunda e a sexta ninguém vai querer.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.