Entre 56 unidades do Centro Paula Souza, a Etec (Escola Técnica Estadual) “Doutor Júlio Cardoso”, mais conhecida como Industrial, de Franca, foi a segunda com maior número de aprovações em vestibulares de universidades e faculdades públicas em 2011/2012. Os alunos do terceiro ano do ensino médio conquistaram 82 vagas em instituições públicas. A Etec “Presidente Vargas”, de Mogi das Cruzes, lidera o ranking, com 97 aprovações. A unidade de Franca tinha 160 alunos matriculados na última série do ensino médio no ano passado.
Os estudantes da Industrial foram aprovados em cursos como medicina, odontologia, engenharia de alimentos, biologia, matemática e outros. Na lista das instituições onde ingressaram estão Unesp, UFU (Universidade Federal de Uberlândia), UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), USP (Universidade de São Paulo) e UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). O jovem Glisson Cipriano, 18, foi aprovado em cinco cursos, sendo quatro em instituições públicas. Na Unesp de Bauru passou em quinto lugar no vestibular do curso de designer gráfico e desde 27 de fevereiro é um dos calouros no campus da universidade estadual. Glisson ainda foi aprovado em marketing na USP de São Paulo, artes visuais na Universidade Federal de Goiás e na Universidade Federal de Pelotas e em publicidade e propaganda no Uni-Facef, em Franca.
Para Glisson, que sempre estudou na rede pública, ter feito as três séries do ensino médio na Escola Industrial foi um diferencial a favor. “O estudo na Industrial é bem diferente, pela maneira como os professores nos preparam e o incentivo para continuarmos no ensino público, em faculdades públicas.” Glisson não tinha planos de continuar os estudos, mas foi convencido pelos professores.
Para Mauriel Abib, diretor da Escola Industrial, a seleção feita pelo vestibulinho permite reunir os melhores alunos nas turmas. Neste ano, a unidade abriu 160 vagas para o ensino médio e registrou 900 inscritos, uma média de cinco por vaga. “A Industrial é uma escola mantida pelo governo estadual e para estudar aqui o aluno não paga nada, mas precisa passar pela seleção. E isso é uma das causas da qualidade, porque as turmas são bem selecionadas, filtramos e trazemos os melhores para cá.”
Mauriel aponta ainda outros diferenciais para o bom desempenho dos estudantes em vestibulares bastante concorridos, como o comprometimento e dedicação dos professores, aulas extras oferecidas na escola e a participação dos pais na vida escolar dos filhos.
A professora de português, coordenadora do ensino médio na Industrial, Rita Guimarães, leciona na escola há 22 anos e disse que os professores procuram meios de tornar as aulas mais interessantes. “Temos projetos culturais, montagem e apresentação de empresas e aulas extras à tarde. O aluno fica na escola muito mais tempo do que ficaria se fosse cumprir somente a carga horária e ele vem com prazer, o que faz a diferença porque ele passa a acreditar em si.”
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