Recentemente assisti a um documentário na televisão retratando a caça ilegal de elefantes no continente africano, não obstante todas as medidas protecionistas encetadas por entidades governamentais e não governamentais. Infelizmente os elefantes carregam consigo, pois faz parte da sua constituição orgânica, o marfim. E é ele, exatamente, o objeto do desejo dos impiedosos caçadores.
As baleias e os elefantes se constituem nos maiores mamíferos do nosso planeta. Porém ambos, infelizmente, ainda continuam ameaçados de extinção. Eles estão inseridos em uma lista extensa de animais com risco de desaparecimento. O risco de extinção decorre da ação predatória do ser humano. Nesse caso, obviamente, do ser desumano.
Isso é inconcebível e inaceitável, pois é dever de todos preservar o planeta para as gerações futuras. É o mínimo que nos cabe. Mas a ganância dos homens é desmedida. Para alcançar o que desejam eles não medem esforços e correm todos os riscos, sejam quais forem.
No mesmo documentário, também restou claro para mim, o fato de que as penas aplicáveis aos impiedosos caçadores, nas raras vezes em que são pegos, são pequenas e assim a impunidade acaba funcionando como um estímulo à matança desenfreada. Também é necessário punir com mais rigor o receptador do marfim, pois ele é o grande responsável pelo extermínio do elefante. Geralmente o receptador do marfim é uma pessoa rica e excêntrica, que o adquire pagando cifras vultosas, para ser usado como peça de decoração.
No fundo, porém, o receptador quer o marfim por mero capricho, apenas e tão somente para exteriorizar o seu poder e a sua riqueza, tentando com isso demonstrar um estúpido prestígio perante o seu grupo social.
Inegável que a consciência de se preservar o planeta com tudo o que nele contém, vem aumentando sensivelmente junto às novas gerações. A criança de hoje tem uma visão preservacionista muito maior do que tinha a de gerações anteriores. A escola e os meios de comunicação de massa têm contribuído de forma importante para a formação daquilo que se convencionou chamar de “cultura da preservação ambiental”. Mas ainda há muito a ser feito, especialmente no continente africano onde a desinformação e as carências acabam estimulando a prática delituosa.
Informar, punir com rigor e também criar mecanismos de subsistência digna à maioria desses caçadores, medidas que devem ser adotadas em conjunto, e que contribuirão fortemente para a reversão rápida desse quadro sinistro, evitando o extermínio de uma admirável espécie animal. Portanto não basta tirar o elefante das apresentações circenses onde alguns indivíduos até são bem tratados. É fundamental tirá-lo da mira dos rifles desses assassinos. Isso é o que tem que ser feito e com urgência.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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