As mulheres francanas estão fortemente envolvidas no comando de empresas. Dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento mostram que elas - que hoje comemoram o Dia Internacional da Mulher - já representam 45% do volume total de empreendedores individuais da cidade. Há desde pedreira, artesã, empresária do ramo da confecção, da área alimentícia, do setor comercial e as tradicionais cabeleireiras.
O economista da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Deyvid Alves da Silveira, disse que em algumas atividades, como vestuário, setor alimentício e de estética e cosmética, as mulheres ultrapassam mais da metade dos empreendedores. “São mulheres que já trabalhavam em casa e viram uma oportunidade de formalizar o negócio, de fazer o bico se transformar em uma fonte de renda fixa.”
Para ele, o interesse do sexo feminino por montar o próprio negócio está atrelado à busca por independência e o desejo de se tornar uma profissional. “Elas são mais determinadas e persistentes, não desistem fácil. Ao contrário do homem que, diante de uma dificuldade, acaba procurando outro afazer.”
Maria Rodrigues Neves Camargo, 48, é empresária do ramo de tecnologia e hoje preside o Conselho da Mulher Empreendedora da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca). Ela acredita que o avanço das mulheres no empreendedorismo é uma tendência mundial e uma quebra de preconceito. “Antes as mulheres eram vistas com desconfiança ao querer montar um negócio. Sempre perguntavam do pai ou do marido. Hoje, elas têm mais facilidade.”
O jogo de cintura, a intuição feminina, o trabalho metódico e detalhista, a flexibilidade, o trato com as pessoas, em especial com os clientes, e a capacidade de fazer várias atividades sem perder em qualidade e eficiência estão no rol de vantagens que o antigo “sexo frágil” leva sobre o sexo oposto, segundo os especialistas ouvidos pelo Comércio. “Elas têm mais foco e querem ficar cada vez mais independentes. Com o Empreendedor Individual, as mulheres viram uma forma de se destacarem no mercado por um custo menor e com uma renda que conseguem se manter”, disse Tânia Aparecida de Oliveira, consultora de atendimento do Sebrae.
Magda Cristina Bonacini, 35, é um exemplo de dona de casa que se aventurou pelo empreendedorismo. Acostumada a fazer pão de alho caseiro para os churrascos em família, ela viu na fabricação do produto uma oportunidade de negócio para completar a renda de casa. “Sabia que precisava montar um negócio próprio para ajudar nas despesas.” O marido de Magda é soldador e incentivou a mulher, que hoje comanda a Nr Pão. A pequena empresa fabrica 250 pacotes por dia de pão de alho nos sabores tradicional e picante. “Ainda estamos pequenos, começamos em setembro de 2010, mas estamos conseguindo conquistar o novo espaço por ser um produto diferenciado”, disse Magda, que acredita estar hoje em pelo menos 120 pontos de vendas em Franca e nas cidades vizinhas de Claraval (MG) e Restinga. “Tinha uma reserva e resolvi apostar. Pensei para frente.”
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