Urubu


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Falamos bem dos bem-te-vis, dos papagaios, das araras, das garças... Também dos tucanos, dos sabiás, dos gaviões. Agora, o urubu está mais próximo é da coruja. Mas como todos os animais da natureza têm o seu papel, os urubus exercem a sua função. Sem eles, a disseminação de doenças seria terrível, especialmente em regiões afastadas da civilização, como nas florestas. É que eles se alimentam de carne em estado de putrefação, sendo portanto muito importantes para o equilíbrio ecológico.

As fêmeas constróem ninhos em arbustos secos e espinhosos. Costumam voar alto, em círculos, para procurar alimentos. Para isso utilizam as correntes de ar quente. Não possuem siringe, ou seja, o órgão vocal das aves. Logo, não podem cantar. O som que produzem é expresso pelo verbo crocitar.

Um importante poeta de língua inglesa, Allan Poe, escreveu um poema chamado O corvo, onde usa muito o verbo crocitar junto à expressão “never more”, “nunca mais”. Este “never more” reproduz o som do crocitar: nevermorenevermerenevermore... Em língua portuguesa, outro poeta, Augusto dos Anjos, escreveu um poema que começa com esse verso: “ Um urubu pousou na minha sorte”. Ele queria dizer que nada estava dando certo em sua vida. O artista Nuno Ramos usou urubus numa instalação na Bienal que acontece em São Paulo: quis chamar a atenção para problemas ambientais.

O urubu fêmea coloca dois ovos por vez. A incubação dura de 32 a 39 dias.

O especialista mineiro Walter Neves, que estuda os períodos de vida na Terra, diz que durante a Era do Gelo, os urubus já disputavam com abutres as carcaças de mastodontes, preguiças-gigantes e outros mamíferos que pastavam na América do Sul. Diz também que havia muitas espécies que desapareceram. Ainda hoje, o condor, tão cantado pelos poetas, mas também um urubu, está em risco de extinção. Ele se encontra na lista da IUCN, a União Internacional para Conservação da Natureza.

Há pessoas que costumam apedrejar urubus. Não deveriam. Eles são muito úteis para o equilíbrio do meio ambiente.

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