Celular na Câmara


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Matéria publicada por este Comércio na terça-feira, 28/02, mostrou alguns vereadores falando em seus respectivos celulares durante a sessão ordinária. De certa forma, essa atitude não deveria merecer muitos comentários. Falar ao celular, nos dias de hoje, é algo comum, um hábito que já parece entronizado em nossa vida cotidiana. No entanto, no que diz respeito aos vereadores, existe uma resolução que proíbe o uso de celulares durante as reuniões, sejam elas ordinárias, solenes, extraordinárias. Além disso, essa resolução prevê a colocação de cartazes avisando sobre a proibição do uso de celulares. Vereadores, membros da mesa, assessores, servidores e até mesmo visitantes que estejam na área destinada ao público não podem fazer uso de seus aparelhos quando estão no recinto da Câmara, nos momentos em que ocorrem as sessões.

Pelo que parece, no entanto, é que boa parte dos vereadores ignoram a resolução que foi aprovada pela própria casa em legislação passada. Indiferentes à clara proibição, estão se utilizando dos celulares sem nenhum constrangimento, descumprindo o que a própria vereança aprovou.

Óbvio está que isso é um péssimo exemplo e um prato cheio para críticas. Como responsáveis pela legislação municipal, não deveriam desrespeitar uma norma dentro da própria casa legislativa. Ocorre que como o dito incialmente, o uso do celular hoje é tão comum e, em função das necessidades de um mundo dinâmico e cada vez mais movimentado, estamos sempre ao telefone, falando, enviando mensagens ou acessando a internet. Não importa o lugar, o momento ou a hora. É comum ouvirmos os tradicionais ‘toques’ desse aparelhinho em quase todos os espaços que frequentamos. Sendo assim, talvez seja possível imaginar que o inadequado, na verdade, seja a norma criada. Ela escapa ao que a atualidade impõem a todos. Apesar do uso do celular atrapalhar em vários momentos e lugares (e em alguns trazer riscos reais, como quando é utilizado ao volante - o que é proibido por lei), ou quando é acionado em sala de aula, em palestras ou eventos culturais, esse aparelho tornou-se essencial para o desenvolvimento de nossas vidas. Em função da ‘correria’ das cidades e das variadas atividades que desenvolvemos em nosso cotidiano, precisamos estar o tempo todo conectados. Para utilizar uma linguagem mais afeita ao marketing, deixou de ser um desejo para tornar-se uma total necessidade.

Nesse sentido, os vereadores talvez pudessem se deter um minuto a respeito da norma interna. Seria mais adequado rediscutir a eficácia dessa resolução e, diante de novos olhares, talvez suspendê-la. Até porque é claro que um vereador, que se reúne uma única vez por semana para discutir assuntos de interesse da comunidade, não deve ficar ‘pendurado’ no celular, desviando-se dos debates e das discussões ou distraindo-se em momentos que podem ser importantes para a cidade. O que não se poder perder de vista, é claro, é o bom senso por parte dos vereadores, tanto para não exagerar ao telefone como para não criar normas internas das quais nem eles conseguem se lembrar ou cumprir.

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