Os familiares do pedreiro Antônio Donizete de Castro, de 51 anos, dizem que vão processar a Prefeitura de Franca. Eles acusam os funcionários da UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Aeroporto, que funciona 24 horas, de descaso, agressão e omissão de socorro no atendimento prestado ao pedreiro. O secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, nega a negligência.
O caso aconteceu na última sexta-feira, dia 2. Segundo os familiares, Antônio Donizete, que é alcoólatra, acordou por volta das 9h30 reclamando de dores no peito. Preocupada, sua mãe Maria Gonçalves Araújo decidiu levá-lo até a UBS do Jardim Aeroporto. “Nós chegamos lá era quase 10 horas. Esperamos um pouco e logo fomos atendidos por uma médica. Ela nem examinou meu filho direito. Só mediu a pressão, disse que estava alta e receitou um remédio e soro.”
Antônio foi encaminhado para a enfermaria para receber a medicação. “Eles colocaram ele numa maca e injetaram o soro”, conta Maria. A confusão teria começado pouco depois. Incomodado com o soro, Antônio não parava quieto na cama. “Ele se mexia muito. Estava muito agitado. Não sei se por causa de bebida. Ele era alcoólatra, mas não sossegava.” Quando Maria saiu para ir ao banheiro, Antônio caiu da maca. “Eu ouvi uma gritaria e sai correndo. Quando cheguei, meu filho estava no chão, com a maca por cima dele. A enfermeira que veio socorrer estava muito irritada. Ela puxou ele pelo braço e ele se debatia. Aí, ela começou a dar chutes e tapas nele que foi ficando fraco.”
A cena teria revoltado os pacientes que ainda aguardavam para passar pela consulta médica. “Eu comecei a gritar pedindo para ela não bater no meu filho, mas não adiantou. Ela só parou na hora que o pessoal veio intervir.”
Depois da queda, Antônio foi colocado em um colchão no chão. “Ele ficou lá jogado, gemendo de dor. Eu falava com as enfermeiras que ele não estava bem e elas só me respondiam que ele estava medicado e não podiam fazer nada. Nem iam lá ver ele.”
Por volta das 17 horas, o estado de saúde de Antônio se agravou. “Ele começou a gemer mais alto. Seu rosto estava ficando roxo. Eu me desesperei e comecei a gritar que ele estava morrendo. Foi quando um médico que estava na UBS veio me acudir. Ele viu meu filho e mandou as enfermeiras chamarem o Resgate, mas era tarde demais. Meu filho morreu a caminho da Santa Casa.”
Para Diego Antônio de Castro, de 25 anos, filho de Antônio, seu pai poderia estar vivo se o caso tivesse sido atendido da maneira correta. “Além das agressões, eles deixaram o meu pai esperando no corredor em um colchão. Não ouviram quando ele dizia que estava com dor. Isso para mim é um descaso, um absurdo. Ele era alcoólatra, mas era trabalhador e merecia ter sido atendido com dignidade.”
Uma paciente, que estava na sala de espera da UBS porque tinha uma consulta ginecológica agendada, acompanhou toda a agonia de Antônio. “O que aconteceu com esse senhor é um absurdo mesmo. As enfermeiras largaram ele no corredor sozinho e não deram a menor bola. Só foram prestar atenção quando começaram a gritar que ele estava morrendo”, disse ela que pediu para não ser identificada, mas confirmou que a enfermeira “deu uns tapas no paciente”.
Ontem a família registrou um boletim de ocorrência de omissão de socorro. “Não podemos aceitar que um ser humano seja tratado dessa forma. A ação não vai trazer meu pai de volta, mas vai mostrar para esses funcionários que eles não podem fazer isso. Eu quero apenas Justiça”, disse Diego.
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