Para Geraldo Xavier de Almeida, Fábio Cândido não poderia de forma alguma ser o representante dos sapateiros de Franca, pois ele não é sapateiro há mais de 30 anos. “Ele é o único sindicalista que tem um monte de registros. Não conheço mais nenhum. Atualmente é registrado na fábrica do irmão do tesoureiro do Sindicato.”
Sebastião Ronaldo, atual presidente do Sindicato da Padre Anchieta, concorda com Geraldo. “Eu conheço o Fábio há 30 anos. Ele não é sapateiro. Sua carteira sempre foi ‘esquentada’, inclusive quando assumiu a presidência do Sindicato pela primeira vez, em 1982.”
A mesma opinião também é manifestada por Jorge Martins e Paulo Afonso. Ambos afirmam não entender como um sindicalista tem vários registros, uma vez que, enquanto representante eleito de sua categoria, ele não pode ser demitido. “O Fábio não entra em uma fábrica há mais de 40 anos”, afirma Jorge Luis.
Fábio Cândido defende-se dizendo que, como todos os sindicalistas, ele realmente dedica-se mais às atividades sindicais do que à produção ou a qualquer outra atividade fabril. Seus vários registros, segundo ele, estariam ligados ao fechamento das fábricas onde esteve registrado. Porém, afirma: “Sou sapateiro há mais de 38 anos”.
Para seus adversários no universo sindical, a atuação de Fábio Cândido é extremamente prejudicial à classe trabalhadora. Além de não ter representatividade, ele não seria democrático. “O Fábio não faz assembleia, não decide nada com os trabalhadores. É só o que ele quer.”
Fábio Cândido se defende dizendo que é justamente o contrário. Diz que essa atual diretoria da Padre Anchieta é uma diretoria de “rachas”, não apenas com ele, mas com outros trabalhadores.
Em um ponto, porém, estão todos de acordo. Quem perde com essa disputa são os próprios sapateiros de Franca, pois a divisão enfraquece toda a classe trabalhadora, assim como a sua luta.
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