Francanas detonam o mundo do reality show ‘Mulheres Ricas’


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AS MULHERES -  Da dir. para esq., Helena Nascimento, Lucilla Abdala, Sofia Lopes, Rilda Dias e Dinamar Lacerda assistem ao penúltimo episódio de Mulheres Ricas
AS MULHERES - Da dir. para esq., Helena Nascimento, Lucilla Abdala, Sofia Lopes, Rilda Dias e Dinamar Lacerda assistem ao penúltimo episódio de Mulheres Ricas

A arte imita a vida ou a vida imita a arte? Essa é uma questão antiga, que sempre dividiu as opiniões. Muitas vezes, a arte consegue descrever uma realidade cotidiana de forma mais intensa e precisa do que um estudo ou observação pretensamente mais objetiva. Em sua famosa obra A Comédia Humana, o escritor Honoré de Balzac conseguiu criar uma imagem extremamente realista da sociedade francesa de época, assim como o nosso Machado de Assis, em suas páginas de ficção, alcançou um desenho preciso da elite carioca do final do século XIX.

O que dizer então dos modernos “reality shows” que invadem os meios de comunicação em todo o mundo? Será que eles realmente seriam representações de nossa vida cotidiana? Será que seus personagens agiriam em frente às câmeras da mesma forma que agem em suas vidas privadas?

Em tempos de Big Brother, a TV Bandeirantes mostra um reality show diferente, que tem atraído comentários e condenações nas redes sociais e nas rodinhas. Trata-se de Mulheres Ricas. No show, cinco mulheres da alta sociedade brasileira “desfilam” o que seria um breve retrato de seu cotidiano em cenas que, caricatas ou não, buscam mostrar um pouco como vivem os “nossos” ricos.

Diante da novidade, o Comércio da Franca decidiu reunir cinco mulheres de perfis diferentes para comentar o programa.

Juntas, elas assistiram ao programa da última segunda, dia 27, anunciado como o penúltimo da temporada. As convidadas foram: Lucilla Abdala, 47 anos, designer e empresária, proprietária da empresa Nó de Pano, que produz bolsas femininas; Sofia de Paula Lopes, 47 anos, supervisora de telemarketing da Santa Casa de Franca; Helena Maria Thomaz do Nascimento, 60, professora voluntária de informática da Paróquia de São Benedito; Rilda Dias, 44, enfermeira e conselheira tutelar do município de Franca; e Dinamar Lacerda, 48 anos, pedagoga e secretária do Polo de Educação à Distância da Uniube.

Reunidas no Estúdio 2 da rádio Difusora AM, elas comentaram, discutiram e opinaram sobre o programa, antes, durante e após sua exibição.

A SESSÃO
Helena ironizou o sucesso que o programa está fazendo entre os homens. “Meu marido não perde um. Critica o tempo todo, mas não larga.” Segundo ela, seu filho, também casado, foi quem deu a dica ao pai. Algumas já haviam visto o programa, ou pelo menos parte dele. Dinamar assistiu pela primeira vez. De qualquer forma, mesmo antes de começar o episódio, quase todas eram unânimes em enfatizar o caráter exagerado e caricato do programa.

Para Lucila, a edição é feita de uma forma que passa mais a impressão de novela do que de reality show. “A direção parece muito presente na fala e na atuação das mulheres.”

Sofia lembra que no Facebook já houve uma intensa campanha pelo fim dos episódios. “Cheguei a receber um e-mail com uma imagem do programa e outra de crianças famintas da Etiópia”, disse.

Provocadas a responder por qual motivo um programa tão criticado conseguia um ibope relativamente alto para os padrões da Band (cerca de 8 pontos), as opiniões convergiram. Um dos motivos seria a curiosidade, já que o programa é muito comentado na mídia e na rua. O horário e o dia também seriam um estímulo, pois na segunda, às 22h15, geralmente, as pessoas estão em casa e não há boas opções na TV.

Elas admitiram que o fato de as pessoas gostarem de luxo também atrai muita gente para frente da televisão, na mesma linha do que disse o sociólogo Agnaldo Barbosa, professor da Unesp de Franca. Para Agnaldo, a atração exercida pelo programa tem muito a ver com uma nova elite que parece mais “tropicalizada”, mais afeita ao jeitinho brasileiro. Uma elite que, diferentemente da tradicional, é mais escrachada. “As pessoas acabam se identificando porque não há muitas regras nem etiquetas a seguir, o que tornaria mais fácil uma suposta ascensão social”. 

As convidadas disseram ver muito exagero do programa e dos personagens. Val Marchiori foi a mais rejeitada, mas as cinco deram certa aprovação ao estilo irreverente de Narcisa Tamborindeguy, a mais carismática.

Para Rilda, o programa, de forma geral, denigre o papel da mulher brasileira. Dinamar enfatizou também a futilidade e a competição entre as mulheres do reality.

Lucila disse que o programa é um grande deboche, “uma grande gozação com a nossa cara”. Helena reafirmou sua pouca atração pelo programa e disse preferir o Big Brother, onde as pessoas são mais simples e de classes sociais variadas.

Sofia, que ficou mais calada, parecia não acreditar no que assistia. “Deve ser triste fazer tudo o que se quer todos os dias.”

De forma geral, as convidadas não aprovaram o programa por considerá-lo fútil e caricato. Obviamente, todas elas afirmaram gostar de luxo e de compras. Concordaram também que o programa cria certa fantasia no imaginário das pessoas. Para Helena, por exemplo, os carros é que chamam sua atenção. Lucila, talvez em função de seu trabalho, não deixou de notar uma bolsa da grife Versace. Dinamar teve sua atenção atraída por um colar.

Já sobre o champanhe, uma espécie de “sexto personagem” do reality, houve unanimidade: a bebida realmente empresta glamour às ocasiões.

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