Quanto pesa um filme? Para quem nasceu na era digital, a resposta vem em megas, mas, para José Viumar da Silva e Fabrício Eduardo Mason, a resposta vem em quilos. Eles são projecionistas da Moviecom (proprietária das salas do Franca Shopping) e, portanto, responsáveis por transformar a película em som e movimento nas grandes telas. O cinema instalado em Franca possui quatro salas, das quais três utilizam projetores para películas de 35 mm enquanto a outra, projeta em HD, filmes em 3D. No primeiro caso, milhares de “microfotos” em negativo são enfileiradas em uma película, que parece uma versão gigante dos filmes que eram usados em máquinas fotográficas antigas. A uma rotação de 40 imagens por segundo, surge a sensação de movimento na tela do cinema.
No formato de 35 mm, as películas vêm separadas em latas pretas e é trabalho desses profissionais uni-las até que se tornem um único rolo, que chega a 3,6 quilômetros, para uma projeção de duas horas. “Já tive que montar filme com 11 rolos que pesava 30 quilos”, revelou Viumar. Um vacilo nesta etapa pode custar uma cena diferente da versão original ou a perda de áudio. Depois dessa união, os rolos são colocados em aros que lembram os de uma bicicleta e, então, a ponta da película é transpassada em roldanas - como um pequeno labirinto - que rolam o filme até a frente do projetor. O cuidado para montar esse “labirinto” é enorme, pois o material é frágil. “Tem que ter cuidado, o filme não pode ficar esticado... se não der uma folguinha, ele pode se romper”, explicou Fabrício.
A sala de projeção fica na parte superior do cinema e abrange todas as quatro salas. A impressão que se tem ao subir os 33 lances de escada é que a luz vai fugindo em degradê. Ao abrir a porta, uma sala estreita, mas comprida, vai abrigando todo o maquinário - os equipamentos, segundo Viumar, chegam a custar R$ 1 milhão. Se mexer no local se torna uma arte por causa do espaço.
A imagem que se tem de cima, olhando a tela onde as pessoas assistem às sessões, é que é possível tocar os heróis dos filmes. Essa ilusão acabou influenciando Viumar. “Fiz um curso de detetive há um tempo, pela internet. Fiquei inspirado ao ver James Bond”, afirmou.
Na última semana, o setor de marketing da Moviecom revelou que a frequência às salas de cinema cresceu 20% no ano passado em relação a 2010. No país, o saldo também foi positivo. Cerca de 143,9 milhões de ingressos foram vendidos, totalizando uma renda de R$ 1,44 bilhão de reais.
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