Ganhando a vida na vassoura; conheça a história de Leonildo


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PONTO - Moretti oferece vassouras na esquina da av. Chico Júlio com r. José Oliveira Fernandes
PONTO - Moretti oferece vassouras na esquina da av. Chico Júlio com r. José Oliveira Fernandes

Na casa do comerciante Leonildo Moretti, 68, as mulheres gostavam de limpar o chão usando vassouras de piaçaba (ou piaçava; as duas grafias são aceitas) ou de bruxa, como alguns conhecem. Há 30 anos, pensando em agradar a mulher, Moretti aproveitou a ida a um sítio da região para comprar vassouras novas. O vendedor só comercializava “pacotes” com seis unidades e Moretti, então, levou meia dúzia para casa. Ou melhor, tentou levar.

Depois de ganhar uma carona até Franca, seguia a pé com as mercadorias nos braços rumo à sua casa quando foi abordado por um homem na rua que lhe perguntou qual era o preço da vassoura. Com raciocínio ligeiro, Moretti logo disse um valor e vendeu a primeira peça. Andou mais um pouco e vendeu as outras cinco vassouras. Depois desse dia, ele não se separou mais das vassouras. Reforça mensalmente o orçamento da família com a venda do produto artesanal - além da piaçaba normal, tem a vassoura para tirar teias de aranha e a para varrer cinza e fogão. Ele vende também rodos e rodinhos de pia.

A “descoberta” foi uma grande ajuda para Moretti, que era caminhoneiro, mas teve que se aposentar por invalidez aos 23 anos devido a uma doença grave na pele. Ele abandonou o caminhão e a estrada e ficou parado durante muito tempo até chegar próximo aos 40 anos e se tornar “vassoureiro”, como é chamado pelos colegas. Quando investiu no comércio, Moretti circulava com as mercadorias pelas ruas. Depois, decidiu se instalar num ponto fixo. Escolheu a movimentada avenida Chico Júlio, esquina com a rua José Oliveira Fernandes, atrás do prédio da concessionária de automóveis Francauto, após obter a autorização do proprietário do imóvel.

Todos os dias, inclusive aos domingos, acontece a mesma cena: Moretti estaciona seu Del Rey, ano 89, no ponto com cerca de cem vassouras e rodos amontoados no porta-malas e banco traseiro e passa o dia atendendo os clientes, muitos deles fiéis há cerca de 30 anos. O vassoureiro chega ao ponto por volta das 7h30, reserva uma hora para almoçar em casa na Vila Nova, sempre a partir das 11h30, e retorna para as vendas até as 18h.

Moretti não revela quantas vassouras e rodos comercializa, mas diz que “vende muito bem” e ganha no mínimo R$ 1 mil por mês, o suficiente para fazer economias e ajudar a sustentar a filha de 43 anos, que nasceu deficiente.

“Coloco parte na poupança. Vou gastando e, se sobrar, eu guardo, se não sobrar, trabalho no outro mês, mas geralmente sobra. Meu produto sai bem porque é coisa boa, não adianta vender coisa ruim.”

As vassouras de Moretti passaram a ser produção própria. Ele arrenda uma chácara - não revela a cidade com receio da concorrência - e cultiva a piaçaba para extrair as fibras para montagem das vassouras. “Só confio em três amarradores de vassouras, que fazem o serviço bem. Planto na época da chuva, colho e depois mando amarrar para deixar estocado na minha casa.”

CLIENTES
Os clientes costumam estacionar o carro sobre a calçada próximo ao ponto onde Moretti vende as vassouras para comprá-las. O perfil dos compradores é bem diverso: há senhoras, casais, mas também jovens.

A professora Paula Silva, 63, é das clientes mais antigas. A mãe dela era freguesa frequente de Moretti. Paula manteve a tradição e compra os produtos há três décadas - e na casa dos filhos dela também só entram as vassouras Moretti. “Meu avô montava dessas vassouras também e nós aprendemos desde pequenas a usar esse tipo. A vassoura dele (Moretti) é de qualidade, dura mais, é uma beleza. Os rodos também são mais resistentes porque são feitos com câmera de ar e rapam muito mais. Tem rodinho na minha casa que dura dois anos”, disse ela.

“Às vezes estou passando com o carro e aproveito para comprar porque, se eu não estou precisando, meus filhos estão.”

A enfermeira aposentada Ilda Aparecida Silva Ferreira, 59, também é cliente. Ela diz que paga cerca de R$ 20 nas vassouras. “São resistentes e com preço bem acessível para mim.”
 

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