Arrependimento


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Conforme notícia divulgada no caderno ‘Saúde’, do jornal Folha de S. Paulo, edição de 13 de fevereiro último, a enfermeira australiana Bronnie Ware, especializada em cuidados paliativos, é autora de interessante livro a que titulou Os cinco maiores arrependimentos à beira da morte - em tradução livre, segundo o jornal, ainda não vertido para o português.

A maioria dos relatos alinhados pela autora trata de pacientes terminais de câncer, com os quais teria ela tido a mais estreita relação profissional, propiciadora de proveitosa experiência. O jornal inglês The Guardian, por sua vez, publicou, no seu site, texto em que enaltece a obra de Bronnie, o que lhe provocou repercussão favorável no mundo todo. Segundo a autora do livro, os pacientes terminais ‘amadurecem muito quando precisam enfrentar a realidade da morte’ e acrescenta que ‘todos os pacientes encontram a paz antes de partir’.

Trata-se, inequivocamente, de dados confortadores, e, bem a propósito, cumpre-nos informar que, para a Doutrina Espírita, estar em paz é uma ótima condição para o espírito que vai retornar à dimensão que lhe é própria.

Quanto ao arrependimento, não há dúvida de que uma análise dos atos que praticamos durante a nossa vida é de suma importância.

Por ela, podemos avaliar onde erramos e onde acertamos, de que nos pode resultar o arrependimento, sentimento positivo no sentido da melhoria espiritual de quem está prestes a desencarnar.

No entanto, como ensinam os espíritos no livro O Céu e o Inferno, uma das obras do pentateuco kardeciano, arrependimento é o primeiro passo, mas não o único. Ele é o início da nossa recuperação perante a nossa própria consciência. O arrependimento sincero é um ato de humildade, porquanto mostra que reconhecemos as falhas que cometemos e que precisamos de nova oportunidade redentora, que nos é oferecida pela Misericórdia Divina em forma de novas experiências no campo físico. Mas, não é só. São necessários os demais passos consequentes ao arrependimento, quais a reparação e o resgate. Reparação, em favor daqueles que prejudicamos. Resgate, para acertarmo-nos com a nossa própria consciência.

Diz, ainda, o Espiritismo que reparação e arrependimento podem acontecer concomitantemente, isto é, enquanto se repara, resgata-se. Esclarece mais, que estes eventos remissivos podem dar-se em vidas que se sucedem, sempre na busca da evolução espiritual. Impõe-se, demais, considerar que não reparamos e/ou resgatamos somente pela dor.

A dor só aparece como última alternativa, quando, ainda rebeldes, não nos decidimos pelos outros caminhos que a vida nos oferece: amor, trabalho, perdão, esforço pessoal. Arrependimento é o primeiro degrau na grande escada pela qual devemos subir para chegar aos páramos celestiais.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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