Alcançamos a vice-liderança dentre cidades paulistas de porte médio que mais matam no trânsito!
A julgar pelo andamento da carruagem (sem qualquer ironia), somos candidatos a mais. Posso dizer que nossos motoristas lutam, bravamente – e com muita raiva por quem vem lá – pelo primeiro lugar. Infelizmente. Nosso companheiro repórter Marco Felippe publicou neste Comércio, dia 5 de fevereiro (http://www.gcn.net.br/jornal/index.php?codigo= 159717), análise sobre números do trânsito francano e que suplantam, sem necessidade de análise mais acurada, os de guerras reais que acontecem hoje, pelo mundo: 52 vidas foram ceifadas entre janeiro e dezembro de 2011!
O cenário é tenebroso: 318 mil habitantes e 200 mil veículos disputam cada centímetro dos 607 quilômetros quadrados da cidade e de algumas estradas limítrofes. Pense assim: para cada 1,59 habitantes (não chega a duas pessoas), há um veículo. É, literalmente, pouco espaço para tanta gente e tantas máquinas, especialmente, as mal conduzidas.
E tem mais um detalhe. Os números da pesquisa analisada por Felippe não contêm a totalidade das mortes ocorridas em função do trânsito. Alguns óbitos são saneados dos índices através da prática de um incorreto jogo de palavras: se alguém se fere no trânsito, é transferido para um hospital e lá, morre, vai para outra estatística, não a do trânsito. Trata-se de lógica vernacular, perversa. É possível, então, por essa lógica, dizer que o idoso que foi socorrido ao hospital após ser atropelado com extrema violência, ter entrado em coma e perecido algumas horas depois, não morreu no trânsito. A brecha, proporcionada pela lei é mais uma das leis brasileiras que invertem valores e mascaram a impunidade.
Surpreendi-me ontem ao ler comentário objetivo e claro de um internauta do portal GCN, gritando com todas as letras que é “preciso colocar em marcha uma revolução conceitual, quebrar paradigmas”. Inferia, em síntese, sabedoria popular em riste, que não dá para colocar São Paulo dentro de Franca. Se insistirmos, vamos provar, de novo, oconceito físico da impossibilidade de dois corpos não ocuparem o mesmo lugar no espaço, ao mesmo tempo, como tenta praticar o nosso trânsito, uns por sobre os outros, vidas sendo apenas detalhes.
Continuei surpreso quando soube mais sobre leitor. É paraisense, de família residente em Franca, estudante de Geografia na Universidade Federal de Uberlândia, e tem apenas 22 anos! Suas palavras soaram fortes, convictas. ‘É possível mudar. Gritem por transporte acessível, limpo e rápido para distâncias curtas! Exijam programas de educação no trânsito! E contestem: ter permissão para dirigir é muito diferente de saber dirigir’. Plínio Cesarino me devolveu esperanças. Publico-o, e a seus comentários, na página A2 do jornal de amanhã. Tomara que as autoridades de trânsito leiam. Sua receita simples pode nos tirar do segundo lugar e nos enviar lá para a rabeira da estatística que Marco Felippe levantou. Brevíssimo!!!
COMO É QUE PODE?
A ‘Carta Cidadã’ de hoje é assinada pelo leitor Leandro Pereira, recorrente voz em prol de trânsito mais humanizado para a cidade. Ele leu a reportagem de Marco Felippe e não se conteve:
“(...) o problema do trânsito francano não é a via, a sinalização ou a falta de. São os motoristas! Podem até instalar radar mas digo que depois de passar pelo aparelho, voltarão a imprimir velocidade incompatível. Um jovem, quando completa maioridade, corre à auto-escola e logo estará conduzindo veículo. Passa por um teste psicológico que nunca reprova ninguém, faz uma prova teórica, algumas aulas e... está pronto, ‘apto’! Com moto é ainda pior. Como alguém que pilota uma moto em um circuito que mais parece um playground infantil se prepara para dirigir em horário de pico nas avenidas da cidade? Como é que alguém que aprende a fazer baliza e conversões, adquire condição de dirigir em rodovia? O MP deveria averiguar estabelecimentos que não formam motoristas e sim, lhes dá o direito de fazer o quiserem. Parem de culpar as vias, sinalização, quantidade de veículos! O pior motorista não é aquele que erra e sim, aquele não admite que errou!!!
PARA AJUDAR PESSOAS
Encontrei Marcos Mercado, do Centro Espírita União, Fé, Esperança e Caridade, dia destes. Sempre disposto e disponível, contou-me do centro de informática que a instituição montou em sua sede para ensinar a jovens e adultos os segredos dos bits e bites. “É o melhor caminho para profissionalização rápida. Sem informática, nada feito”. Concordo com ele. São dezenas de vagas disponíveis para várias turmas e a oportunidade está aberta. Por que não?
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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