Agora é oficial. A aposentada Teresinha Geraldo Lisboa, a Terê, de 51 anos, e a gráfica Márcia Pompeu Sousa, de 47, estão legalmente separadas depois de 13 anos vivendo juntas. A homologação da separação foi proferida pela 1ª Vara de Família de Franca na semana passada. O caso é considerado como o primeiro divórcio gay do País.
Terê e Márcia ingressaram com uma ação na Justiça para reconhecer a união estável homossexual que viveram, sua dissolução e pedir a partilha dos bens do casal (três imóveis em Franca e um veículo zero quilômetro). “Infelizmente, não estava dando mais certo e decidimos nos separar. Para que não houvesse nenhum problema no futuro, procuramos um advogado para que tudo fosse acertado na Justiça”, disse Terê.
A ação foi proposta pelo advogado Mansur Jorge Said Filho com base na recente decisão do Supremo Tribunal Federal que reconheceu como entidade familiar a união estável homoafetiva. “Para mim, mais do que uma simples vitória. Essa sentença representou uma conquista social, que é muito mais ampla. Mostrou que no Brasil há a igualdade de direito entre as pessoas, independentemente da sua opção sexual. Estou muito satisfeito.”
Terê se disse ainda abalada com o fim da união, mas feliz por ter conseguido ter seu direito reconhecido pela Justiça. “Estamos encerrando um capítulo de nossas vidas. Claro que isso tudo é muito sofrido. Ainda tenho um carinho muito grande pela Márcia, mas sei que nossa relação não tinha como continuar. Agora é seguir com a vida.”
HISTÓRIA
Terê e Márcia se conheceram em 1998, em São Paulo. As duas eram colegas de trabalho em uma gráfica. Um dia, num encontro com o pessoal da empresa, as duas trocaram telefones e se aproximaram. O primeiro encontro aconteceu no dia 12 de junho de 1998 e não se separaram mais.
Elas se mudaram para Franca em 2004. “Eu estava cansada de toda aquela agitação de São Paulo. Viemos passar o fim de semana na casa de uns amigos e não fomos mais embora”, contou Márcia.
O desgaste do relacionamento começou a se agravar no ano passado, quando resolveram reformar a casa onde viviam. “Foi muita dor de cabeça. A Márcia até ficou doente. Aí, começamos a nos desentender e acabamos decidindo por nos separar”, disse Terê.
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