que mil estilhaços

atirou pela janela

velha do quarto.

Sai chamando Drummond

pelos campos,

pelas ruas

e amando mulheres:

uma por mês.

Minha poesia desalentada,

sem adorno

nem alegria,

poesia sem nada

pra dizer tudo

com um grito abafado pelo pranto

que chora desditas

de vidas sobrevividas

mundo afora

mundo adentro.

Nasce do ventre,

da entranha

em direção à Lua,

ao mar e à alma tua.

Minha poesia

nasce caótica,

sem prumo,

qual tiro no escuro.

Em cima do muro,

como se eu fosse puro.

Sai sangrando,

expondo

na ânsia de ocultar.

Hemorragia de desejos

mutilados.

Sai vomitando desilusões,

dizendo que a vida,

que a vida é não.

Porque a vida é

a negação diuturna da morte,

que se vive resignadamente.

Depois minha poesia volta cansada

e recolhe-se em mim,

amedrontada

diante do tamanho da obra.

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