O primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, parece querer levar às últimas consequências o modelo de diplomacia que os Estados Unidos (e Israel) tão bem conhecem: o uso de força militar para fazer valer seus interesses.
O primeiro ministro pedirá ao presidente norte americano que ameace o Irã, publicamente, com um ataque militar, caso esse não abandone seu programa nuclear que acreditam servir para o desenvolvimento de armas nucleares. Eu, por princípio, não tenho simpatia por armas nucleares (ou de qualquer outro tipo), mas, não permito que a ingenuidade permeie minhas considerações sobre o exercício do poder mundial. O Irã, e qualquer outro país, só busca possuir arma nuclear porque outras nações já a possuem. Qual a garantia que um país tem de não ser atacado e invadido por outro a não ser se possuir uma considerável força persuasiva que intimide a ação agressiva externa?
Alguns dizem que os Estados Unidos, Inglaterra, Rússia, China, Índia e companhia nuclear podem ter armas nucleares porque não comprometem a ordem e a paz mundial. Será? Qual o país que mais invadiu e dizimou governos e sociedades no recente período? Os Estados Unidos. Justamente quem possui hoje o maior arsenal nuclear do planeta. Portanto, não é impossível que naquele país seja eleito um maníaco imperialista que decida usar, além da sua força militar convencional, seu poderio nuclear na defesa e conquista dos interesses norte-americanos.
Digo mais, por que Israel pode ter armas nucleares no Oriente Médio e não os demais países árabes? Sabemos que Israel só é o que é graças ao apadrinhamento histórico norte americano, aliás, a colônia judaica norte americana é a maior do mundo e maior do que a própria população de Israel. Assim, Israel é, de certa forma, o Estado garantidor dos interesses norte americanos no Oriente Médio.
De qualquer forma, a prática dos norte americanos desenvolvida nas suas relações internacionais é pragmática e inspirada no modelo realista, concebido após a segunda guerra mundial que considerava que as relações entre os estados são ditadas por aquele que tem maior força militar.
A verdade é que tanto o embargo comercial quanto possíveis ameaças de invasão militar em curso contra o Irã, não resolvem as diferenças e só agravam o clima historicamente tenso naquela região e dela para com o hemisfério norte. Se por um lado temos um estado imperialista (Estados Unidos) de outro temos um estado teocrático e fundamentalista (Irã) que, certamente, não repetirá a passividade ocorrida no Iraque quando da invasão norte americana alguns anos atrás.
Os Estados Unidos, ainda que pese sua fabulosa força militar e sua importância econômica, estão em declínio no cenário internacional pela impossibilidade de manterem-se presente militarmente em todos os cantos do mundo; pelo declínio da sua economia e, principalmente, pelo surgimento de potências econômicas e militares em todos os cantos do mundo o que, tira deles, a liberdade de influir e determinar a política mundial como assim o fazem desde a segunda guerra. Dessa forma, o Sr. Netanyahu deveria ser mais prudente e aprender a negociar com árabes e iranianos de forma a garantir a segurança do próprio estado de Israel, que poderá sofrer um declínio na ajuda norte americana.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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