Em janeiro de 2012 as ruas de Franca ganharam 990 novos veículos. Com esse acréscimo, a frota chegou a 196.133 conduções, segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito). Se as vendas mantiverem essa média mensal, dentro de apenas três meses - até maio - a frota do município ultrapassará os 200 mil veículos. Mesmo antes de atingir essa marca, os reflexos e transtornos do grande volume de carros, motos, ônibus, caminhões e vans já são sentidos por quem circula em Franca.
Dirigir ou tentar atravessar algumas ruas da cidade, especialmente em horários de pico, exige muita paciência de motoristas e pedestres. Congestionamentos, despreparo dos condutores, riscos e tempo perdido figuram entre as principais queixas sobre o trânsito francano. Nesta semana, o Comércio percorreu pontos de estrangulamento no trânsito nos horários de rush - meio-dia e a partir das 16h30 - e flagrou muitas infrações.
Na rotatória do Bairro São Joaquim, que dá acesso ao Distrito Industrial, a situação é caótica. Os carros, motos e ônibus se entrelaçam e dão um verdadeiro nó no trânsito. O número de veículos por volta das 17 horas é muito alto, porque é o horário de saída das fábricas. Na tarde de segunda-feira, um dos veículos estava na avenida Severino Tostes Meirelles, sentido bairro-Estação, e a menos de 300 metros do semáforo precisou esperar o sinal verde abrir pela terceira vez para conseguir atravessá-lo.
E a grande quantidade não é o único transtorno no local. A proporção de abusos cometidos pelos motoristas também é alta. Para fugir do congestionamento, motociclistas, ciclistas e também carros cortam caminho pelo posto de combustíveis próximo da rotatória. O risco de atropelamentos é iminente. A professora Tassiana Rodrigues Pires, 34, mora no Residencial Chico Neca, mas o marido dela trabalha no Distrito Industrial. “É um horror passar neste trânsito. Você fica um tempão parada e tem muitas bicicletas, motos e carros. Os motoqueiros vão fazendo ziguezague entre os carros, o pessoal avança o sinal vermelho. É um sufoco.”
Na região central, o engenheiro mecânico Rinaldo Marco Antônio, 46, testemunha mais abusos, todos os dias. O filho dele, Vitor, 11, estuda no Pestalozzi e ele quem o busca. Para evitar o movimento na porta da escola, chega 30 minutos antes do sinal da saída soar para estacionar perto da calçada e o filho não ter que se arriscar atravessando a rua Afonso Penna ao meio-dia. “Sempre enfrentei trânsito complicado aqui, é sempre muito difícil estacionar. Vejo os motoristas passando em velocidade alta e parando em fila dupla, em lugar proibido.”
Atravessar a rua e conviver com a desordem formada por veículos não são particularidades do Distrito Industrial e da rua Afonso Pena. Nos encontros da avenida Brasil com Adhemar de Barros e Major Nicácio com Alonso y Alonso, o problema e riscos se repetem. Na Brasil, que não possui canteiro central, conversões proibidas são comuns. “É um bagunça. Tem muito congestionamento nos horários de pico. É um problema grave. Acho que é preciso colocar mais um semáforo e fiscalização também precisa ser intensificada”, disse Basileu da Silva, 52, proprietário de autoescola.
MINICIDADE
Percorrer a avenida Abrahão Brickmann, principal via do Leporace, exige doses altas de paciência e atenção. Brecadas e buzinas são frequentes. Quem decide chegar ao bairro pela rodovia Cândido Portinari no fim da tarde enfrenta fila já na entrada. A rampa de acesso da rodovia para a rua Francisco José da Silva fica congestionada durante cerca de uma hora. “Aqui é complicado. O pedestre que quer atravessar sofre. Tem mulher com crianças que geralmente busca na escola”, disse o porteiro aposentado Paulo Roberto de Freitas, 63.
Para o secretário de Segurança, Sérgio Buranelli, o motorista precisa buscar rotas alternativas.
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