Batismo de viaduto paralisa Câmara por três horas


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A Câmara mudou o dia das sessões e passou a reunir-se às terças-feiras sob a alegação de melhorar a produtividade. No dia em que a medida começou a vigorar, ficou claro que o problema não era a data. O batismo de uma obra pública, que ainda nem saiu do papel e cuja construção deve se arrastar até o fim do ano, foi capaz de paralisar o Poder Legislativo de Franca por inacreditáveis três horas. O que é pior: para não chegar a decisão alguma. O projeto que daria um nome ao viaduto previsto para ser erguido na rotatória do Fórum foi a causa da confusão. A simples proposta, que se transformou em polêmica sem precedentes, já havia sido adiada em duas outras oportunidades no fim de 2011.

A votação de projetos que dão nome a próprios públicos costuma ser pacífica na Câmara. Ontem, a tradição de unanimidade foi derrubada. Desde setembro passado, encontra-se na casa proposta apresentada pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB) que denomina o viaduto de “Maria Patrocínia Rocha, Dona Quita”. A homenageada morreu em maio. Ela era mãe do prefeito.

Nessa segunda-feira à tarde, véspera da votação, Graciela Ambrósio (PP) apresentou um projeto substitutivo propondo que o viaduto se chamasse Wagner Garcia. Acionista do Magazine Luiza, o empresário morreu em julho.

Com duas opções de nome e apenas uma obra para batizar, os vereadores ficaram em uma sinuca de bico. Não tiveram o menor cuidado em esconder o despreparo para contornar o imprevisto e travaram uma tensa e inócua discussão. “Nunca vi alguém vilipendiar o projeto do outro. Faltou ética e respeito por parte da vereadora à família, pois outro nome já havia sido apresentado. Faltou bom senso. A senhora perdeu o pai recentemente. Imagine se apresentasse um projeto para homenageá-lo e alguém colocasse um substitutivo”, disse Jépy Pereira (PSDB), se dirigindo a Graciela.

Marcelo Valim (PSDB) e Marco Garcia (PPS) também foram à tribuna cobrar bom senso por parte da vereadora. Paulo Zamikhowsky (PSB) pediu calma aos companheiros, que estavam partindo para questões pessoais. “A memória é importante. Não podemos brincar.” Vanderlei Tristão (PTB) alertou os colegas que seria um erro levar os dois projetos à votação. “Estamos brincando e vai custar caro. Vamos fazer uma besteira histórica, a maior gafe da história política. Depois, não adianta querer consertar.” Tristão afirmou que os vereadores não estavam sendo inteligentes. “Avaliem a imbecilidade que vamos cometer. Isto é imbecilidade.” Jépy Pereira não gostou. “Não vem dizer que somos imbecis. Só se for vossa excelência.”

Joaquim Pereira (PSB) propôs adiar a votação por dez sessões. Também surgiram propostas de adiamento por uma ou cinco semanas. De repente, surgiu a ideia de que o nome de Wagner Garcia fosse dado ao prédio do esqueleto que a Prefeitura promete transformar na nova sede de Educação. Não prosperou. Depois de discutirem por três horas, os vereadores decidiram adiar o projeto por duas sessões.

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