Dinheiro fácil


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Dizem os sábios: ‘dinheiro fácil não existe’. Porém, é impressionante como oportunistas oferecem dinheiro fácil e convencem gente honesta a lhes pagar quantias estratosféricas

Esses, em plantão permanente, sempre ligados em enriquecerem rapidamente, estão ai, pela cidade. O estratagema vem sendo muito utilizado e é preciso alertar para que ninguém caia no golpe! Recebi em meu escritório dois jovens casais que me contaram como foram ‘seduzidos’ pela oportunidade de ganhar dinheiro fácil. Convidados a participar de palestra em um grande hotel da cidade receberam as instruções. A lógica era a seguinte: ‘quanto mais gente aderir, mais dinheiro vocês ganham’. Importante, então, era recrutar o máximo de pessoas para que os ganhos aumentassem. A pancada vinha a seguir: a adesão a esse ‘marketing de rede’, custava, de cada interessado, R$ 22 mil(!) para adquirir um produto que, no mercado, não custa mais de R$ 1 mil. E não parava por ai: para quem não tinha o dinheiro – R$ 22 mil – era oferecido empréstimo em 36 parcelas fixas com uma instituição financeira parceira, primeira parcela paga seis meses após a adesão.

Bingo! Esse era o pulo do gato! Não era necessário desembolsar nada! Em seis meses, se o interessado convencesse entre cinco e seis pessoas, pagaria o empréstimo integral! E se cada pessoa convencida conseguisse a adesão de novos participantes, o primeiro interessado estaria ‘quase’ no topo da pirâmide e ganhara ‘muito’ dinheiro!

Eu disse ‘quase’ no topo, já que, no topo, mesmo, estaria o palestrante e um seleto grupo que ‘inventou’ o tal ‘marketing de rede’. Esses sim, os verdadeiros ganhadores do dinheiro fácil! Preciso fazer uma ressalva, aqui: existem empresas sérias e sólidas que trabalham, verdadeiramente, com marketing de rede.

Destaque-se que em passado recente, outras empresas tiveram práticas comerciais semelhantes em Franca, a exemplo da Omni Internacional e a Alpha Club, banidas do mercado pelo Ministério Público, depois da constatação que trabalhavam como ‘pirâmide’. Outras empresas que também foram banidas do mercado foram as que vendiam planos habitacionais a custo baixíssimo e, no médio prazo, não tinham condições de honrar o valor pago pelos consumidores. Eram as chamadas ‘sociedades em conta de participação’.

Nessa esteira, o modus operandi destes falsários funciona como jogos de azar, e têm por característica, a possibilidade remota de ganho. Na maioria das vezes, você perde. O consumidor dificilmente consegue êxito na sua aposta.

No caso aqui em análise, embora não seja um jogo, alguns aspectos são semelhantes aos jogos de azar. Dificilmente a pessoa consegue recuperar seu dinheiro (R$ 22 mil). Para que isso ocorra, outras pessoas têm que entrar e pagar outros R$ 22 mil. Assim, o ‘investimento’, ou a ‘aposta’, quase sempre não dão retorno.

É caso de polícia. Em tese, essas empresas praticam crime de estelionato pela formação de ‘pirâmide’. O dono do negócio ganha em cascata porque, de todos os novos integrantes no negócio, ganha uma comissão. Além de perder dinheiro é bem possível que você transforme amigos em inimigos, já que seus amigos ingressantes acabarão por se arrepender e deixarão sua amizade para lá, exatamente porque os indicou e convenceu.

Sorte ou azar, investimento ou aposta, pirâmide ou triângulo, não existe dinheiro fácil. Qualquer promessa nesse sentido deve ser encarada com muita cautela pelo consumidor. Na dúvida, nunca feche negócio. Consulte amigos ou pessoas que já viveram a mesma experiência. Consulte também o Procon. Afinal de contas, nesse tipo de negócio, dinheiro fácil só para quem está no topo da ‘pirâmide’.

PREÇOS DE MEDICAMENTOS
Os preços dos medicamentos podem variar mais de 200% de uma drogaria para outra em São Paulo, segundo pesquisa realizada pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). De acordo com levantamento entre os dias 20 de dezembro de 2011 e 9 de janeiro deste ano, foram pesquisados preços de 24 medicamentos no site das principais redes de drogarias da cidade de São Paulo. Em 33% dos casos a diferença é de mais de 60% entre o menor e o maior valor praticado, sendo que foram identificados 91 preços para os 24 produtos analisados. Olho vivo, consumidor!

PROCON-SP MULTA
O Procon-SP (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) fiscalizou, entre os dias 13 e 17 de fevereiro, 66 empresas de transporte aéreo e rodoviário. 14 foram multadas por irregularidades. Entre as empresas de transporte rodoviário, o Procon encontrou irregularidades como falta de informações sobre preço das passagens, falta de informação do número do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) e falta de divulgação dos direitos do passageiro. As empresas ainda podem recorrer.

MÉDICO POR TELEFONE
Passaram a vigorar em 15 de fevereiro, as novas regras para publicidade médica. A resolução do Conselho Federal de Medicina proíbe consultas por telefone e Internet. Obviamente que devem ter ocorridos muitos abusos e erros médicos em consultas dadas por telefone. O objetivo é evitar que médicos ofereçam, exclusivamente, serviços à distância. A medida não afeta quem consulta um médico de confiança para tirar dúvidas corriqueiramente como, por exemplo, para esclarecer dúvidas em relação a um medicamento prescrito.

Denílson Carvalho
Advogado, ex-coordenador do Procon Franca - denilson@comerciodafranca.com.br

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